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POLÍCIA

Cinco adolescentes fazem 30 passageiros reféns

Trabalhadores que voltavam para suas casas no município de Benevides, na Região Metropolitana de Belém, viveram duas horas de intenso terror dentro de um micro-ônibus que fazia linha para aquele município, depois que cinco adolescentes entraram no coletiv

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Trabalhadores que voltavam para suas casas no município de Benevides, na Região Metropolitana de Belém, viveram duas horas de intenso terror dentro de um micro-ônibus que fazia linha para aquele município, depois que cinco adolescentes entraram no coletivo e anunciaram o assalto.

Segundo os passageiros, os cinco assaltantes embarcaram em parada em Ananindeua e logo que passou pela barreira da Polícia Rodoviária Federal começou o drama das vítimas, sendo roubadas e ameaçadas de execução caso alguém encarnasse o papel de justiceiro e reagisse ao assalto.

Em rondas pela rodovia BR-316, os policiais militares do Batalhão Ambiental, cabos Borges e Marcelo Dutra, que estavam em duas viaturas, desconfiaram do coletivo e resolveram abordá-lo na rodovia BR-316, no Km 11, e, na sequência, os cinco se rebelaram e pegaram o cobrador como refém, iniciando uma longa e tensa negociação.

O DIÁRIO chegou cinco minutos após ter se estabelecido a crise e acompanhou, com exclusividade, durante duas horas, a negociação realizada pelo cabo Borges Ferreira do BPA com os cinco assaltantes, que pareciam nervosos e com exigências absurdas.

Estabelecido o primeiro contato, o porta-voz do grupo, um adolescente com passagens na polícia pelo mesmo crime, pediu a presença da imprensa, sendo apresentada a equipe do DIÁRIO, ocasião em que duas senhoras que estavam com hipertensão foram liberadas e socorridas por paramédicos do resgate do Corpo de Bombeiros.

Os adolescentes infratores pediram cinco coletes à prova de bala, o que foi negociado pelo cabo Borges, mediante a liberação de mais cinco reféns, tendo como prioridade idosos, mulheres e crianças.

A esta altura, a rodovia BR-316 estava interditada na saída e quem precisou trafegar teve que pegar um atalho pela estrada da Pirelli, passar por uma invasão por trás do Presídio Metropolitano de Marituba, sendo, inclusive, alvo de assaltantes que aproveitaram o congestionamento para roubar motoristas e passageiros.

Com a imprensa no local e os coletes liberados, os adolescentes, que a todo o momento se mostraram senhores da situação, foram mais intransigentes e pediram cigarros, refrigerantes e até a “broca”, dizendo que estava passando da hora do jantar e a polícia tinha que providenciar o lanche dos cinco.

Para ganhar cigarros e refrigerantes, eles entregaram um rapaz que sofria de asma e com o “fumacê” dos cigarros dentro do micro-ônibus acabou se sentindo mal e foi liberado para atendimento médico com as ambulâncias postadas próximas à cena da crise.

Mesmo com todas as exigências cumpridas pelo negociador, eles foram mais longe e pediram cigarros de maconha, proposta rejeitada pelo negociador. “A Policia Militar não negocia drogas”, gritou o cabo Borges, enquanto os adolescentes faziam um festival de ligações para parceiros e familiares usando celulares das vítimas.

População quer em ação atiradores de elite da PM

A exemplo de assalto semelhante há duas semanas, em Icoaraci, envolvendo menores e quatro horas de negociação, este em Marituba caminhou com o mesmo “modus operandi”, sem que houvesse vontade dos criminosos em se render, chegando ao cúmulo de exigências, como cigarros de maconha.

Passava da meia-noite deste domingo (19) quando um deles deu a cartada final. Ligou para a mãe, que estava se divertindo em uma festa no bairro do Entroncamento, e uma viatura do Batalhão Ambiental foi deslocada de Marituba para buscar a “santa”, segundo o adolescente infrator. “Não quero ninguém filmando ela, senão a gente vai passar a noite inteira aqui”, ordenou o adolescente.

Meia hora depois, a mãe do menor chegou e eles acabaram se entregando. O que estava com a arma entregou o refém e foi direto para a viatura do BPA. Eles foram encaminhados para a Seccional Urbana de Marituba, onde foi verificada e comprovada a idade dos cinco infratores, que foram levados para a Divisão de Atendimento à Criança e ao Adolescente - Data.

Segundo o cabo Marcelo Dutra, três dos cinco assaltantes já tiveram passagens pela Data por situação semelhante. Enquanto eles dançavam e imitavam sinais utilizados em “galeras” em festas de aparelhagens, vítimas que foram roubadas em assaltos semelhantes reconheceram todos como os que tomavam de assaltos ônibus na rodovia BR-316.

“São os mesmos que pegaram o meu ônibus na semana passada e me levaram junto com os passageiros para um ramal aí adiante, depois de fazer uma limpeza em todo mundo”, informou um motorista vítima da quadrilha.

Para o mecânico Edilson de Sousa, está na hora de o governo criar “vergonha na cara” e acabar com os assaltos com reféns no Pará. “Eu perdi a conta, neste ano, de quantos a televisão mostrou. Tá na hora de o governador autorizar a ação dos atiradores de elite, como aconteceu no Rio de Janeiro e em Pernambuco”, disse revoltado o mecânico, que já foi vítima de assalto semelhante em um micro-ônibus em Marituba.

(Diário do Pará)

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