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POLÍCIA

Protesto pede prisão de suspeito de homicídio

O desfecho de um crime registrado na tarde do último sábado no município de Benevides, Região Metropolitana de Belém, revoltou moradores do lugar. A suposta liberação do principal suspeito do assassinato de Rafael Leitão Mendes, 19 anos, indignou familiar

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O desfecho de um crime registrado na tarde do último sábado no município de Benevides, Região Metropolitana de Belém, revoltou moradores do lugar. A suposta liberação do principal suspeito do assassinato de Rafael Leitão Mendes, 19 anos, indignou familiares e amigos que resolveram protestar na porta da delegacia da cidade durante o cortejo fúnebre da vítima, sepultada na manhã de ontem. Maurício Xavier Santos, apontado como executor do crime, teria sido encaminhado à delegacia, mas liberado a seguir, após a apresentação de um laudo médico que atesta problemas psiquiátricos.

“Doido tá no hospício e não na rua matando gente direita e trabalhadora. O Rafael não estava roubando nem matando, estava na rua garantindo umas moedas para ajudar em casa”, bradava a dona de casa Maria Deuzarina de Souza, amiga da família, uma das mais indignadas com o fato.

De acordo com a família, Rafael saiu de casa no sábado rumo ao mercado central, onde costumava trabalhar como vigia de bicicleta. Uma discussão com um senhor identificado como Mário Oliveira Santos teria motivado o fim trágico. “Ele é o pai do assassino e não gostava que ninguém ficasse lá na frente reparando bicicleta. Começou uma discussão e ele foi fazendo o meu irmão ir recuando, recuando, até ficar de costas para o filho dele, que deu as facadas”, afirmou o irmão da vítima, Fábio Mendes, durante o velório. Segundo o relato de testemunhas, Maurício Xavier Santos, conhecido pelo apelido de “Treme Treme”, teria desferido três facadas em Rafael, que chegou a ser encaminhado ao Hospital Metropolitano, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu durante a madrugada de domingo. Câmeras do sistema de segurança de um supermercado próximo registraram toda a ação.

Na delegacia, o pai do suposto assassino apresentou outra versão. Segundo o boletim de ocorrência registrado por Mário, Rafael estaria perseguindo o filho (Maurício) e teria chegado a agredi-lo. Mário afirma que teria procurado a vítima para uma conversa, mas que Rafael teria reagido e ficado muito nervoso. Nesse momento, então, Maurício teria desferido os golpes. O jovem Rafael foi atingido nas costas, no abdômen e no braço.

“O pai dele chegou gritando na delegacia para quem quisesse ouvir que podiam prender o filho dele quantas vezes quisessem que depois iam ter que soltar, porque ele era doido e já tinha sido liberado mais quatro vezes”, relembrou o irmão da vítima.

O corpo de Rafael deixou a própria residência, localizada na rua Santos Dumont, por volta das 10h30 da manhã. Com cartazes em mãos, familiares e vizinhos seguiram o caixão a pé até a delegacia, onde houve protesto. “Justiça, Justiça!”, cobravam todos. Uma comissão formada por três pessoas foi recebida. Cerca de cinco minutos depois, o cortejo fúnebre seguiu para o cemitério municipal, onde Rafael foi sepultado.

“Eles [a polícia] disseram que o caso não está parado e que toda a papelada está seguindo para o Fórum, em Belém. Nós vamos cobrar. Não vamos deixar mais essa morte impune”, disse Maria das Graças Guimarães, vizinha de Rafael. Inconsolável, o pai da vítima buscava forças para clamar justiça. “É uma coisa que a gente não esperava de jeito nenhum. Meu filho bom, jovem, saiu de casa para trabalhar e voltou assim desse jeito. Eu só quero mesmo que o culpado seja preso e pague pelo que fez”, declarou Raimundo Mendes.

Sem gravar entrevista, o delegado de plantão, Paulo Freitas, disponibilizou à equipe do DIÁRIO os boletins de ocorrência e documentos já colhidos sobre o crime. Além do relato do pai do suspeito, foram ouvidas outras duas testemunhas, um irmão da vítima e um funcionário do supermercado que presenciou o crime. Em anexo também está um atestado de insanidade mental no nome de Maurício Santos. Segundo o documento, entre outros sintomas, o rapaz apresenta alucinações, insônia e fortes dores de cabeça. O delegado disse não saber informar se o suspeito chegou a ser preso e acrescentou que não estava autorizado a dar mais detalhes sobre o caso. Maurício Santos e Mário Santos não foram localizados para apresentar suas versões dos fatos.

(Diário do Pará)

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