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POLÍCIA

Empregada admite ter planejado assalto a advogado

Chorando. Foi assim que Leiliane da Silva Cutrin, grávida de quatro meses, permaneceu durante os 20 minutos em que esteve diante da imprensa. Apresentada pela Polícia Civil como uma das envolvidas no assassinato do advogado Luigi Freire, em setembro deste

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Chorando. Foi assim que Leiliane da Silva Cutrin, grávida de quatro meses, permaneceu durante os 20 minutos em que esteve diante da imprensa. Apresentada pela Polícia Civil como uma das envolvidas no assassinato do advogado Luigi Freire, em setembro deste ano, a ex-empregada doméstica, que servia à casa, assumiu ter planejado a morte da vítima junto com o companheiro Sidneis Vieira dos Santos, também preso. O casal foi localizado por policiais civis no município de Tucumã. A polícia acredita no envolvimento de outras duas pessoas no caso.

Segundo a investigação da Divisão de Homicídios, que hoje completa 36 dias, o objetivo do casal era roubar a família residente em uma área nobre da capital paraense. Trabalhando há sete meses como empregada doméstica na casa, Leiliane (conhecida como Leila) teria tido tempo suficiente para conhecer os hábitos dos moradores da casa. “Ela trabalhava de segunda a sexta. Sabia o que havia de valor na casa e conhecia a rotina das pessoas da família. Sabia a hora que acordavam e o que costumavam fazer aos domingos [dia da semana escolhido para o crime]. Conhecendo detalhes da casa ela se aliou ao companheiro com um único objetivo. Roubar a família”, detalhou o delegado Gilvandro Furtado, titular da Divisão de Homicídios. O alvo seria um cofre, dentro do qual se supunha haver joias e dinheiro. A polícia passou a desconfiar da participação de Leila no caso após o desaparecimento dela, que só esteve no trabalho nos primeiros três dias após o crime. Antes de Tucumã, a dupla passou por Castanhal, Mãe do Rio, Marabá, Sapucaia e Xinguara.

Além do casal preso, a polícia acredita que havia outros dois homens na cena do crime. Um que teria ajudado na fuga e o outro que teria disparado contra o advogado Luiz Carlos Horácio Freire, que foi atingido na perna, mas sobreviveu. O tiro mortal contra o também advogado Luigi Vasconcelos Freire teria partido do próprio Sidneis. “Nada da casa acabou sendo levado. Acreditamos que eles não contavam com a reação das vítimas”, destacou Dauriedson Bentes, delegado que preside o inquérito. “As investigações continuam, estivemos em diligência na casa do suposto terceiro envolvido no caso, mas não conseguimos localizá-lo. Talvez ele tenha sido avisado da prisão dos dois comparsas”, completou o delegado, que preferiu não dar mais detalhes para não atrapalhar as investigações. Na casa do possível participante, foram encontradas uma expressiva quantidade de maconha e uma arma que a polícia acredita ser a utilizada no crime.

Sidneis preferiu responder com o silêncio a todas as perguntas da imprensa. Leila confessou. “Eu era muito humilhada por ele [Luigi]. Ele era viciado e ficava muito violento, chegando a me agredir. Um dia ele marcou o braço e eu fiquei revoltada, cheguei em casa chorando e disse que da próxima vez eu ia ‘furar’ ele com o que eu tivesse na hora. Ele [o companheiro] disse que ia dar um basta nisso. Eu sabia que ele saiu de casa para matar ele [o advogado]”, disse chorando muito. Leiliane garantiu que nunca houve intenção de roubar a família. A polícia não acredita na versão da suspeita. O casal está à disposição da Justiça. Eles serão autuados por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e roubo.

Relembre o caso

Os advogados Luiz Carlos Horácio, 68, e Luigi Vasconcellos Freire, 37, foram abordados por dois homens na manhã de 15 de setembro deste ano, dentro da própria residência, localizada no bairro de Nazaré, em Belém.

Pai e filho organizavam um almoço quando foram surpreendidos pela dupla de homens, que em seguida atirou nos dois advogados. Luiz Carlos Horácio foi ferido na perna e Luigi Freire foi atingido na cabeça, morrendo em seguida.

(Diário do Pará)

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