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POLÍCIA

Ainda há esperança atrás das grades

“Infelizmente, quando o preso chega aqui, todas as políticas do Estado e a presença da família falharam. O primeiro passo para trabalhar com um detento é fazê-lo entender que é importante estudar, porque a vida toda ele aprendeu que não era. Muitos dos qu

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“Infelizmente, quando o preso chega aqui, todas as políticas do Estado e a presença da família falharam. O primeiro passo para trabalhar com um detento é fazê-lo entender que é importante estudar, porque a vida toda ele aprendeu que não era. Muitos dos que decidem fazer isso são criticados pela maioria, e até apanham porque são chamados de X9”, comenta Marizangela Fuckner, gerente da Divisão de Educação do Núcleo de Reinserção Social da Susipe. Os exemplos vistos por ela ao longo do tempo a impedem de achar que ninguém mais tem jeito. Quando alguém insiste em duvidar, ela costuma contar uma história.

Em 2008, a detenta Claudileia Cabral topou participar de um coral. Ela era analfabeta. Quando foram distribuídas as folhas de canto a moça criada no Ver-o-Peso ficou com vergonha, inventou qualquer desculpa e quis desistir. “Eu disse que se ela conseguia ouvir e decorar não tinha porque sair. “Dei a ela a função de DJ, de apertar o play, e ela assumiu a tarefa como se fosse a coisa mais importante do mundo”, recorda Marizangela. Claudileia era a única do grupo que não sabia ler e foi a primeira a decorar todas as letras. Depois do projeto quis se alfabetizar. E conseguiu. “O grande problema é que até internamente enfrentamos problemas. Muitos em evolução saem antes de concluir os estudos, ou sofrem punições e ficam 10 dias sem poder ir pra aula. Mesmo assim o desafio é muito importante”, revelou.

O superintendente André Cunha vê na educação e no trabalho a grande saída para a ressocialização. “Atualmente são 14 empresas conveniadas, algumas prefeituras e vários órgãos do governo que aceitam presos trabalhando. Dessa forma a pessoa vê um norte quando sai daqui e assim tem mais chance se dar bem na vida. “Hoje o preso está contido, amanhã ele estará contigo”, disse Ivaldo Capelone, diretor do Núcleo de Reintegração, citando o conceituado criminalista Alvino Sá. Ivaldo discorda quando o censo comum defender mais punição, perda de dignidade, e muitas vezes excluir quem já está ao máximo excluído. “Trabalhar para que o detento perceba que precisa e pode melhorar é um bem não só pra ele, mas pra toda sociedade”, concluiu.

(Diário do Pará)

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