A poucos metros da sede da Prefeitura de Belém, a violência é intensa. Constante. E não tem hora para acontecer. Na rua 13 de Maio, cenário do assalto que resultou na morte de uma mulher e deixou um policial militar baleado, não faltam histórias de violência e de medo, vividos por moradores, comerciantes e clientes do bairro do Comércio. Principal espaço de compras da capital paraense. É unanimidade: todos ali se dizem “abandonados pelo poder público”
“Aqui os assaltos acontecem toda hora. Nesses dias de movimentação intensa, por conta das compras de Natal, a violência aumenta mais. Só quem vive ou trabalha no Comércio sabe o quanto somos abandonados pela polícia”. As palavras, ditas quase em sussurro, são do vendedor ambulante Paulo Machado, 32 anos. Há quatro meses trabalhando em uma banca de produtos importados, na 13 de Maio, o camelô disse que já testemunhou inúmeros assaltos realizados a luz do dia.
De acordo com a comerciante Manessa Chin, proprietária de um armarinho na mesma rua, a maioria dos lojistas da área já foi vítima de assalto. “Aqui na rua talvez essa seja um das poucas que nunca teve a loja assaltada. Mas isso não quer dizer que não fui vítima da violência. Os bandidos já roubaram duas vezes a loja do meu marido que fica no início da 13 de Maio e eu mesma já fui feita refém, enquanto estacionava o meu carro ao lado da Prefeitura”, denuncia a mulher.
Dono de uma banca de sombrinhas e guarda-chuvas há dez anos, Jurandir Reis afirma que a maioria dos roubos acontece durante o horário de maior circulação de pessoas. “Quanto maior a movimentação, maior os assaltos aqui. E os bandidos não tem medo de ninguém. Roubam mesmo na frente de todo mundo e ainda trocam tiros com polícia, sem a menor cerimônia”, garante Jurandir.
Entre os frequentadores do centro comercial, as histórias de medo também se repetem. “Eu gosto de frequentar o comércio pela variedade de produtos que encontro por aqui. Mas sei que falta policiamento na área e que os bandidos não perdoam ninguém. Eu mesmo já fui assaltada enquanto fazia compras na 13 de Maio”, revelou a dona de casa Maria das Graças. A assessoria de comunicação da Polícia Militar, nega a falta de policiais no bairro do Comércio. Segundo a PM, o policiamento na área é feito de forma permanente com rondas 24 horas.
(Diário do Pará)
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