A notícia que nenhum policial militar, familiares e amigos do sargento Antônio Hélio Pereira Borges de 48 anos queria receber foi difundida em um comunicado do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência às 21h de sábado (09). O diretor geral do Hospital Metropolitano, Paulo Czrnhak, em um boletim, lamentou a morte encefálica do paciente, apenas ratificando as informações repassadas em primeira mão pelo jornalismo da Rádio Clube do Pará duas horas antes, que noticiou a morte do militar.
As informações no Hospital Metropolitano eram filtradas e ninguém tinha acesso à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) onde o sargento Borges estava internado. Policiais militares representando associações da categoria receberam um informe extra-oficial dando conta da morte do policial e fizeram uma romaria ao Metropolitano. Na portaria do prédio nenhuma informação relevante. Questionados, os policiais civis lotados na Delegacia de Crimes Violentos informaram que a assistente social do hospital não confirmava nada e que o policial continuava em estado grave.
A Certeza veio às 19h de sábado (9). Se passando por um popular cujo paciente estava internado no Metropolitano o motorista a serviço de um jornalista comentou com um dos porteiros sobre o fato e este acabou confirmando o que todos não gostariam de saber.
Com a notícia na rádio e nas redes sociais, logo desmentiram o fato. Um oficial da Polícia Militar chegou a dizer que a informação não tinha cunho verdadeiro fazendo aumentar ainda mais a insatisfação dos colegas de farda que se revezaram em vigília na porta e dentro do Hospital Metropolitano.
As 20h familiares do policial Antônio Hélio Pereira Borges chegaram ao hospital e se reuniram com a assistente social e às 21hs chegou o comunicado oficial do hospital. Nele o diretor afirma que o paciente Antônio Hélio Pereira Borges, 48 anos, entrou no HMUE com ferimento de arma de fogo, no dia 07 de novembro às 17h40, encaminhado direto para o bloco cirúrgico, onde realizou procedimento de ligamento de vazo lesionado mais drenagem torácica, com duração de aproximadamente 3h30min.
Após procedimentos foi transferido para Unidade de Terapia Intensiva, permanecendo gravíssimo e instável hemodinamicamente. Na sexta feira foi realizado stop de sedação, paciente sem reação por mais de 24 horas. No sábado realizado protocolo de “morte encefálica” com confirmação no início da noite. Paciente mantido sob uso de aparelhos e drogas para manutenção de órgãos. A família e amigos, a direção do hospital e equipes assistenciais comunicam o profundo pesar.
Havia muita discussão sobre os próximos passos com relação ao policial com morte encefálica. Caso a família autorizasse a doação de órgãos uma equipe médica estava de sobreaviso para realização do procedimento e caso optassem o contrário o hospital iria esperar a falência múltiplas de órgãos para declarar o paciente morto. A partir deste momento começou uma série de boatos que trouxeram revolta para companheiros de farda e amigos do sargento Hélio. A que chamou mais a atenção foi o desejo da instituição que policial fosse velado dentro do comando geral da Polícia Militar na avenida Dr. Freitas. “Eles tinham o Hélio como uma pedra no sapato deles pela defesa que fazia nossa”, esbravejou um policial.
Os cabos Xavier, Cordeiro, Quadros, e os sargentos Silvano e Rossicley que representam associações de policiais militares, fizeram uma reunião relâmpago no pátio do Metropolitano definindo os passos que seguiriam por todo o final de semana até o enterro do policial que seria no Estado do Maranhão. A família, por sua vez, autorizou a doação dos órgãos
Reunião
Nem a Polícia Civil ou a Polícia Militar paralisaram suas atividades desde que estourou a crise na Segurança Pública do Estado, cujo estopim foi um assalto no início da tarde do dia 7 de novembro, no bairro do Comércio, que, posteriormente, culminou nas mortes do PM Antônio Hélio Borges, e de sua companheira, Feliciana Mota, alvejados pelo trio durante a fuga, no entanto, há um intenso burburinho de que não falta muito para que isso aconteça tamanha é a revolta das corporações diante das precárias condições de trabalho dos profissionais. Na noite de sábado, assim que foi confirmada a morte cerebral do Sargento Hélio depois de dois dias internado em estado grave por conta dos tiros que levou no pescoço, os PMs se reuniram em caráter de urgência para cobrar um posicionamento do Governo do Estado diante da situação. Feliciana, alvejada por um tiro que atingiu o braço e o peito, morreu na hora, no dia 7, e havia sido enterrada horas antes, também no sábado.
De início, a categoria não aceitou a proposta do Governo do Estado de se reunir somente na terça, dia 12, mas acabou cedendo e o encontro ficou marcado para as 10h, no auditório do campus da Universidade da Amazônia (Unama) situado na Av. Senador Lemos. Não só a PM como as diversas categorias ligadas à Segurança Pública são esperadas nessa reunião, que pode ser decisiva no que diz respeito à possibilidade de paralisação dos servidores.
Hoje, a partir das 10h, na sede do Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil (Sindpol), no bairro da Sacramenta, haverá uma coletiva de imprensa para que a PC exponha seu posicionamento diante das últimas ocorrências.
(Diário do Pará)
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