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POLÍCIA

Insegurança faz paraense recorrer aos blindados

Os 140 casos de latrocínio registrados no Pará de janeiro a outubro deste ano já indicam a insegurança que pode ter feito com o que o Estado alcançasse o quinto lugar no ranking de carros blindados no país. Com 2% das blindagens realizadas no Brasil, segu

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Os 140 casos de latrocínio registrados no Pará de janeiro a outubro deste ano já indicam a insegurança que pode ter feito com o que o Estado alcançasse o quinto lugar no ranking de carros blindados no país. Com 2% das blindagens realizadas no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), o Estado perde apenas para Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Amazonas.

De acordo com o levantamento realizado pela Abrablin, onde 31 blindadoras participaram da pesquisa em todo o Brasil, 4.769 veículos foram blindados apenas nos primeiros seis meses de 2013, um aumento que corresponde a 11,55% se comparado com o mesmo período do ano passado. Seguindo a evolução percebida desde 1995 até hoje, a perspectiva é a de que 10 mil veículos recebam a proteção até o fim do ano.

Em apenas uma empresa que trabalha com blindagem de automóveis em Belém, uma média de 60 a 70 veículos já foram blindados. De acordo com o gerente comercial da Force One Blindados, Péricles Brandão, apesar de ainda pequeno, se comparado com cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, a procura pelo serviço tem aumentado na capital paraense. “Há algum tempo, muita gente fazia investimentos extremamente altos em acessórios e deixavam de investir na segurança do veículo. Hoje, as pessoas já estão mais conscientizadas da importância de terem um carro que ofereça segurança e preferem investir na blindagem”, acredita.

“Essa segurança é muito importante, ainda mais em Belém, que a gente vê muito problema de assalto em canais, em sinais”.
Sem fugir do padrão nacional, Péricles revela que, também em Belém, a maiorias das pessoas que buscam o serviço de blindagem estão preocupadas com a falta de segurança na cidade. “A maioria das pessoas procura a blindagem por motivos ligados à segurança. Ou porque já passaram por alguma situação ou porque querem prevenir que aconteça alguma coisa”, acredita. “A blindagem vai desde o nível I até o nível III-A, que deixa o veículo totalmente seguro e que é a mais procurada por esse motivo”.
Segundo Péricles, qualquer blindagem de automóvel civil só pode ser realizada após a autorização do Exército brasileiro e deve compreender todo o automóvel. “Todo obstáculo do automóvel tem que ser blindado. Às vezes, o cliente pergunta se pode blindar só os vidros, mas o Exército não permite. Todo o processo é acompanhado pelo Exército brasileiro e é ele quem libera o cliente para prosseguir com a blindagem”, explica. “O valor da blindagem depende do veículo, mas pode variar de R$35 mil até R$50 mil. Hoje, isso não é um gasto, é um investimento em segurança. Hoje a pessoa já pode fazer um financiamento em um banco para blindar o veículo como se fosse um acessório. Hoje, praticamente qualquer pessoa pode investir na blindagem de um veículo”.

ATENTADO

Foi a blindagem feita no veículo que salvou a vida da advogada e esposa do delegado da Polícia Civil Eder Mauro, Alessandra de Souza Pereira, em abril deste ano. O carro que a advogada dirigia foi alvo de 20 tiros em um atentado sofrido na Alça Viária, nordeste paraense. Como o veículo era blindado, ninguém saiu ferido do ocorrido. “Um carro blindado ajuda e muito, mas ainda é um expediente que só pode ter quem tem posses. Nós temos porque ganhamos e foi o que salvou a vida dela e das outras pessoas que estavam no carro”, lembra. “Foram muitos tiros e o objetivo era atingir um réu que acreditavam estar no veículo”.
Ainda que a proteção física do veículo faça a diferença em uma situação como esta, o delegado lembra que só o carro não é suficiente para garantir a segurança. “Não basta só o carro blindado. Quando a pessoa sai e entra no veículo, tem que observar se tem alguma pessoa suspeita”, aconselha. “O carro só protege por dentro”.

(Diário do Pará)

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