A rebelião na tarde deste domingo (24) no Centro de Recuperação Pará II (CRPP2) na vila de Americano, em Santa Izabel do Pará, na região nordeste do Estado, que durou mais de cinco horas de medo, tensão e revolta mostrou a fragilidade do sistema penal no Estado.
O Estado mandou abrir dois inquéritos, um policial e outro administrativo para apurar como uma pistola 6.35 que estava em poder de um dos detentos entrou no estabelecimento penitenciário que tem um sistema considerado rígido para a entrada de algum tipo de material ou droga nas celas.
Um detento foi morto. Trata-se de Arthur de Alexandre Ferreira de Almeida, conhecido no submundo do crime como “Arthuzinho”, e que seria um preso considerado “brinde”, ou seja, detentos condenados por crimes sexuais ou que matam presos na cadeia e que ficam em locais escondidos por seguranças e quando é descoberto ficam esperando o momento para matá-lo como forma de pressionar negociações.
“Arthuzinho” era o que eles chamam de “brinde”. Segundo as informações do processo que o mesmo respondia na Justiça e a denúncia do Ministério Público, no dia 07 de fevereiro de 2010, por volta das 16h, na ala de observação do hospital de custódia do Sistema Penitenciário de Americano, “Arthuzinho” custodiado do sistema penitenciário, cometeu crime de homicídio por meio de estrangulamento contra o também interno Antônio Renato de Araújo Gomes e, em seguida, começou a gritar dizendo que seu companheiro de sala havia se suicidado.
Imediatamente, naquele dia, os agentes prisionais se dirigiram à cela e encontraram o corpo da vítima algemado e com um pedaço de pano enrolado no pescoço. Na denúncia, o promotor afirma que o réu tinha um histórico de agressividade e que matou seu companheiro de sala pelo simples fato de não gostar da administração da Casa Penal.
Após ser autuado em flagrante por mais este crime, Arthur de Alexandre Ferreira de Almeida passou a ser “blindado” na cadeia e neste domingo a dívida com os colegas de presídio foi quitada com seu assassinato, que agora a Polícia Civil vai tentar descobrir os autores.
O Centro de Recuperação Pará II (CRPP2) tem capacidade para 280 presos e estava, segundo os membros da OAB que estiveram neste domingo acompanhando a direção da Susipe nas negociações, com o dobro de presos o que deve ter motivado também o motim.
(Diário do Pará)
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