O delegado geral de Polícia Civil, Rilmar Firmino de Souza, foi baleado na madrugada de ontem, durante uma tentativa de assalto no bairro da Cremação, em Belém. Dois homens armados abordaram veículo do delegado que estava acompanhado da policial militar Simone Franceska Pinheiro das Chagas.
Rilmar reagiu à ação criminosa e feriu um dos bandidos na troca de tiros, mas foi atingido no abdômen por um dos disparos feito pelo assaltante Anderson Gonçalves de Jesus. O outro assaltante, identificado como Edivan Luan dos Santos Reis, conhecido como “Cérebro”, conseguiu fugir. Três equipes estão se empenhando nas buscas do foragido. Brenda Mayara Brito de Oliveira, 19, companheira de Anderson, que também participou da ação contra o delegado, já foi detida.
ASSALTO
O crime aconteceu por volta das 3h deste domingo, na rua dos Mundurucus, esquina com a avenida Generalíssimo Deodoro. No momento em que o delegado diminuiu a velocidade naquele cruzamento, foi surpreendido pelos homens. Rilmar percebeu que era uma tentativa de roubo e não parou o veículo. Neste momento, um dos bandidos disparou vários tiros. O delegado reagiu e acertou a perna de Anderson Gonçalves de Jesus, apelidado de “Thor”.
Mesmo baleado, o delegado Firmino seguiu ao volante até o Pronto-Socorro Municipal da 14 de Março, de onde foi transferido para o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, em Ananindeua.
O assaltante Anderson também se encontra ferido no Hospital Metropolitano e já teve o flagrante declarado. Ele, que teria atirado no delegado, foi socorrido pela namorada Brenda Maiara Brito de Oliveira, que já está detida por participação no crime. Assim que “Thor” for liberado do hospital, prestará esclarecimento à polícia e seguirá para a penitenciária. Segundo a polícia, ele possui antecedentes criminais por roubo.
A TRABALHO
Segundo o secretário de Segurança Pública do Estado, Luiz Fernandes, Firmino estava trabalhando naquela madrugada quando foi vítima dos assaltantes. “Por conta da greve, ele visitava a trabalho as delegacias e seccionais, assim como todos os demais delegados vêm fazendo”,
explica.
Para Fernandes, a tentativa de assalto não foi contra o delegado geral, mas sim contra uma pessoa. “Foi um crime semelhante a qualquer outro. Ele é igual a qualquer outro cidadão, mas, como policial experiente, anda armado e reagiu”, diz. Luiz não descarta ainda uma tentativa de latrocínio.
O delegado Firmino e a PM Simone Franceska Pinheiro das Chagas estavam deixando as atividades da madrugada quando foram abordados no carro da Polícia Civil, um veículo funcional descaracterizado de qualquer identificação policial.
“Os acusados estavam acostumados a fazer assaltos naquela área, poderia ser qualquer pessoa”, reforçou em coletiva de imprensa realizada na tarde de ontem o delegado da polícia especializada João Bosco.
PROCURADO
Vários policiais estão em diligências para encontrar o segundo participante da tentativa de roubo contra o delegado Firmino. Caso Edivan Luan Santos dos Reis não seja preso em flagrante, a sua prisão preventiva será solicitada à justiça. A arma utilizada pelo delegado geral, uma pistola ponto 40, será periciada e o revólver de calibre 38 da dupla seguiu com o fugitivo “Cérebro”.
Veículo não tinha identificação. Delegado passa bem
O veículo da Polícia Civil descaracterizado que o delegado Rilmar utilizava na hora do crime foi recolhido para o estacionamento da Delegacia Geral e ainda na manhã de ontem foi submetido a perícia. De acordo com os peritos, a ação foi violenta. Há marcas de quatro perfurações no teto do carro, modelo Voyage, preto, que seria de uso funcional de policiais civis.
De acordo com o diretor de polícia especializada, delegado João Bosco, Anderson foi o autor do disparo que atingiu o delegado geral, Rilmar Firmino. A namorada de “Thor”, Brenda, seria acostumada a dar apoio à dupla de assaltantes. “Ela ficava às proximidades do local do crime marcado entre eles aguardando a ação. Ela daria apoio na fuga na moto”, detalha Bosco. A motocicleta foi apreendida, um veículo modelo Yamaha Fazer, cor prata, placa OSW 1875.
O diretor da Divisão de Homicídios preside o inquérito das investigações.
QUADRO ESTÁVEL
O delegado geral da Polícia Civil Rilmar Firmino de Souza passou por intervenção cirúrgica para a retirada da bala que ficou alojada em um dos músculos do abdômen. “A cirurgia durou cerca de 30 minutos e o quadro clínico é estável. Firmino permanecerá internado em observação pelas próximas 24 horas”, divulgou o governo em nota oficial no site Agência Pará.
Enquanto o delegado se recupera do atentado, a delegada geral adjunta, Christiane Lobato, assumirá interinamente o comando da Polícia.
Para Sindpol, crime expõe a grave crise na segurança
Rubens Teixeira, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil do Estado do Pará, Sindpol, avalia que o episódio é o reflexo da situação da violência no Estado, uma vez que a onda de crimes “está saindo das periferias, que antes seria o lugar de maiores ocorrências, e atingindo outros setores, assim como os diversos segmentos sendo atingidos”.
Teixeira lembra ainda que 32 policiais, entre civis e militares, foram assassinados só este ano, vítimas dessa violência - e que vários outros já foram mutilados e ficaram com sequelas. “Infelizmente dessa vez foi o delegado geral, que não deixa de ser um policial, um cidadão. Independente de os bandidos saberem ou não que era uma autoridade da nossa categoria, ele sofreu um atentado, tentaram matá-lo.
Precisamos que essa criminalidade pare. É necessário criar mecanismos para suturar esse ferimento e parar essa sangria”, diz Teixeira.
Os policiais civis estão em greve desde a última terça (26) e ainda não têm previsão de término. “Deflagramos greve para chamar a atenção do governo que não é somente salarial. É por isso que cobramos do governo que essa realidade da insegurança pública realmente mude”, critica.
REPÚDIO
Em nota publicada ontem, o Sindpol solidarizou-se com a família de Firmino, lamentando a violência sofrida nesta madrugada pelo delegado, e também repudiou a violência no Pará, que, segundo o Sindpol, “vem aumentando e assolando o nosso Estado”. Para o Sindpol, um termômetro da crise é inclusive o crescimento de vítimas entre policiais civis e militares.
“Externamos solidariedade aos familiares de Rilmar, rogando a Deus que restabeleça sua saúde e que em breve ele esteja de volta às suas atividades e ao convívio dos seus entes queridos”.
O presidente da Associação dos Delegados do Estado do Pará (Adepol), Fernando Flávio, lamentou o ocorrido . “Estamos todos sujeitos a isso, eu mesmo já fui assaltado”. Para ele, os ‘buracos’ no funcionamento da PM deixam a população à mercê dos assaltantes. “O contingente já é pouco, e quando há concurso público, muitos são lotados em cargos burocráticos, no Tribunal de Justiça, na Assembleia Legislativa. Quanto menor o efetivo na rua, maior a possibilidade de situações como essa acontecerem”, avaliou a Adepol, que não aderiu à greve.
(Diário do Pará)
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