Foi realizada durante a manhã de ontem a reconstituição do crime que vitimou o engenheiro químico e professor universitário Raimundo Lucier Marques, assassinado em agosto de 2012, em Belém. Duas testemunhas e um dos participantes do crime, um de cada vez, ajudaram na reconstituição conduzida pelo delegado Eduardo Rollo, da Divisão de Homicídios. A avenida Duque de Caxias, próximo à travessa Pirajá, palco do crime, foi completamente interditada.
A reconstituição foi um pedido da defesa de Edmilson Ricardo Farias, deferido pela juíza Ângela Tuma, titular da 3ª Vara do Júri da Capital, no dia 4 de outubro deste ano, quando houve o encerramento dos interrogatórios dos acusados no processo. Na ocasião, foram deferidos requerimentos apresentados pela promotora de Justiça Rosana Cordovil e outros requerimentos feitos pelos advogados Paulo Sérgio Lima Pinheiro, Rodrigo Santana, e Rafael Sarges.
Porém, nenhum dos advogados compareceu na reconstituição, inclusive Rafael Sarges, defensor público do mototaxista Allan Franklin Ferreira Rego, que deu fuga ao executor e é réu confesso de participação no crime. “Sem a presença do advogado, foi esclarecido ao Allan que ele não precisava participar. É um direito dele, mas ele disse estar ciente e preferiu fazer a reconstituição”, declarou a promotora Rosana Cordovil. O acusado foi o último a participar.
Encapuzado, o ex-policial que depôs e reconheceu o réu Edmilson Ricardo Farias como executor, foi o primeiro a fazer a demonstração de como o crime ocorreu. O nome dele não é divulgado, mas a promotora Rosana Cordovil declara que desde o início ele é a testemunha chave do caso. “Esse pedido de reconstituição foi uma tentativa de coloca-lo em descrédito. Eles esperavam que houvesse contradições. Mas ele foi tranquilo, detalhou o fato, e acredito que esse material feito hoje só vai servir para reforçar a prova”, declara.
O suspeito de ser mandante do crime é o engenheiro mecânico Carlos Eduardo de Brito Carvalho, que trabalhava com a vítima na comissão de ética do Conselho Regional de Arquitetura e Engenharia -Crea/PA. Ele esteve presente no local da reconstituição, mas não participou. Segundo o delegado Rollo, todo o material vai ser organizado e encaminhado para que acusação e defesa possam usar no processo. “O que registramos aqui serviu apenas para corroborar com o que a gente já tinha. Não vi contradições”, declarou.
RÉUS NEGAM
Em juízo, Edmilson Ricardo Farias, apontado como executor do homicídio, já havia negado sua participação no crime. E ontem, durante a reconstituição, Carlos Eduardo e Allan reforçaram ser inocentes. O mototaxista defendeu-se dizendo que não sabia que Edimilson pretendia matar uma pessoa. E que apenas deu fuga ao executor porque temeu pela sua vida.
O mototaxista apenas confirmou que recebeu, após o crime, R$ 400, que seria o pagamento acertado para realizar a corrida. Relatou ter trazido Edmilson de Benevides até o local do crime e que “ele só disse pra esperar”. A polícia chegou até o mototaxista através de imagens de circuito de segurança. Nelas, Allan aparece aguardando Edimilson e saindo em alta velocidade após o crime, com o executor de carona na moto. Já o engenheiro acusado de ser o mandante apenas confirmou não ter qualquer participação na morte de Raimundo Lucier.
(Diário do Pará)
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