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POLÍCIA

Mortes tiram sono de moradores do Conjunto Sabiá

Uma comunidade aparentemente pacata, sem muitos episódios de violência pra contar. Apesar de ser muito conhecido por habitar policiais militares, na noite da última quarta-feira (18), um assalto contra uma família dentro da residência localizada na quadra

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Uma comunidade aparentemente pacata, sem muitos episódios de violência pra contar. Apesar de ser muito conhecido por habitar policiais militares, na noite da última quarta-feira (18), um assalto contra uma família dentro da residência localizada na quadra 18, no conjunto Sabiá, no bairro 40 Horas, em Ananindeua, assustou os moradores. “É algo que nos amedronta. A gente sabe que a violência está em todo lugar, ninguém está imune, mas aqui é difícil acontecer”, afirmou uma moradora que não quis revelar o nome.

Assim como a dona de casa, muitos moradores preferiram não falar sobre o caso que resultou na morte de dois bandidos. Ontem, horas depois do crime, as ruas permaneceram sem agitação, ainda mais com a chuva que caiu durante a tarde. Somente as faixas de isolamento da perícia ainda marcavam o lugar e os poucos comentários de alguns, já que a maioria se mantinha em silêncio.

Boa parte daquela população vive atrás das grades, mesmo considerando um lugar tranquilo de se morar, a maioria se restringe dentro das próprias casas na maior parte do dia. São poucos os comércios, apenas uma escola e a unidade de saúde mais próxima está localizada no bairro da Cidade Nova.

Nas primeiras horas da noite de quarta-feira não foi diferente. Adultos passeavam enquanto os filhos brincavam na praça daquele conjunto, pouco antes do crime começar.

“Minha cunhada deu uma carona para minha esposa que vinha do médico com quatro crianças dentro do carro e mais a babá. Quando ela estacionou e saiu do veículo foi à oportunidade que eles encontraram de render todo mundo”, explicou um familiar que preferiu manter o anonimato.

“Eles vieram de cara limpa. Não foram violentos em nenhum momento. Vieram para roubar, queriam dinheiro e os carros, mas como não tínhamos, resolveram levar tvs, notebooks, computadores e joias”, detalhou uma das vítimas que preferiu não revelar o nome. “Foi tudo muito rápido, a ação durou no máximo dez minutos”.

A mulher e mais oito pessoas, sendo quatro crianças foram rendidas e feitas reféns por um trio de assaltantes, por volta das 21h desta quarta. “Na pressa para fugir, eles se atrapalharam, um deles não conseguiu sair com o carro que minha cunhada deixou do lado de fora e acabou atropelando o comparsa, a moto ficou quase debaixo do veículo”, detalhou. O terceiro comparsa ficou fora da residência em uma moto, ele ajudaria os demais na fuga, mas na troca de tiros acabou sendo atingido, entretanto, conseguiu escapar.

Segundo o filho dos donos da residência, ninguém sabe o que aconteceu depois que eles saíram da casa. “Meu pai colocou o sofá atrás da porta com medo que eles voltassem e só escutou os tiros. Ninguém viu nada”, esclareceu.

O mesmo morador reside naquele conjunto há 7 anos. Ele já possuiu um estabelecimento comercial onde abria às 8h e fechava às 23h, “não tinha medo de ser assaltado”. Para ele, o “Sabiá” é um lugar onde não há bagunça, mas confessa que o episódio assustou a todos, principalmente à própria família, alvo da ação criminosa.

A Polícia Civil da Cidade Nova já está investigando o caso que resultou na morte de dois assaltantes identificados por Enoque Lima e Silva 25, e Wayne Guilherme dos Santos Gama, 37, mais conhecido como Guilherme ou pelo apelidado de “Pirulito”. O inquérito que investiga o crime é presidido pelo delegado Paulo Davi Raiol, daquela unidade policial.

A mãe e companheira de Enoque prestaram depoimentos na seccional no início da tarde de ontem. Sandra Lima e Silva afirmou que tinha conhecimento que o filho estava envolvido com a criminalidade e que na quarta-feira, ele estava armado. Já Sabrina Moraes viveu com o rapaz durante três anos. Da relação, surgiu um filho, mas que há três meses estava separada de Enoque justamente por saber que ele estaria na prática de crimes e utilizando drogas. “Ele tentou fazer um assalto em uma casa, próximo ao Saint Clair [outro conjunto próximo ao Sabiá], mas que na fuga, quase foi alvejado por policiais militares”, dizia o depoimento. Enoque morava na ocupação Nova Esperança, também em Ananindeua, e Guilherme seria morador da Cidade Nova.

Criminosos vieram de outros lugares

Ambos não conheciam muito da rotina da comunidade do Sabiá. Por aparentar um lugar pacato, resolveram cometer o crime contra uma família moradora das redondezas da praça, que sem o conhecimento deles era vizinha de pelo menos quatro policiais militares. “Aqui é conhecido como o conjunto de policial. Quando essas coisas acontecem, esses criminosos não são daqui. Antigamente havia muitos, hoje diminuiu, mas continuou famoso”, contou um popular.

O DIÁRIO conversou com um dos policiais que moram naquele lugar. Ele não quis dizer o nome, mas afirmou que é cabo PM há 25 anos e reside lá desde que o conjunto foi inaugurado, há cerca de 10 anos. O policial contou que conhece o cabo Leite, baleado durante a troca de tiros com os bandidos. “Ele estava passeando com a família na praça, um costume dos moradores. Não testemunhei o acontecimento, mas, se eu tivesse aqui, tinha que agir como militar”. “Quando entrei na PM, arrisquei a minha vida, sabia dos perigos. Passei 23 anos na praça e graças a Deus até hoje, perto de me aposentar, nunca aconteceu nada”, comenta.

Para o cabo, a morte dos ladrões é o resultado da prática criminosa cometida por eles. “São pessoas nocivas à sociedade, que vivem da desgraça dos outros. Quem cometeu isso fez muito bem”, avalia o PM. “Esse tipo de coisa a gente só vê em tevê, nunca pensa que vai acontecer com a gente”, disse um morador do conjunto Sabiá, em Ananindeua.

(Diário do Pará)

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