Desde a última quinta-feira, já havia um clima tenso. As visitas foram suspensas, sem motivo aparente, e os presos já ensaiavam uma revolta. E na manhã de sexta, quando familiares estavam no setor de triagem da Seccional da Cidade Nova para visitar os presos, foram barrados. Nesse instante, os detentos das celas 5 e 6 se revoltaram e fizeram dois presos que faziam a faxina no local reféns. Em seguida, um agente prisional também ficou sob o poder dos revoltosos. Os criminosos anunciaram o motim e começaram a queimar os colchões, armados de estoques.
O Corpo de Bombeiros foi acionado para controlar o princípio de incêndio e conseguiu debelar as chamas. Francisco Robero Pinheiro, coordenador geral da Susipe, compareceu ao local e acionou o Comando de Operações Especiais da Polícia Militar e Rotam, que enviaram um total de 50 homens. Os familiares, do lado de fora, pediam justiça e denunciavam que os presos são maltratados, proibidos de tomar banho de sol e apanham, além de o local estar superlotado. Vicente Alves disse que o filho, Paulo Vitor Alves, está operado e em estado grave e que não consegue transferência para um hospital.
Policiais entraram nas celas para tentar negociar a liberação dos reféns. Nesse momento, houve um conflito entre presos e policiais. Um dos detentos atirou um objeto e acabou atingindo o rosto da soldado Elaine, que teve que ser medicada, e depois o próprio coordenador da Susipe foi ouvir as reivindicações. Pediram a presença de um juiz. Até as 9h30 eles mantiveram o agente refém e liberaram os outros.
A situação só foi controlada no local cerca de quatro horas depois do início da rebelião. A chegada do juiz Cláudio Rendeiro, principal exigência dos rebelados para liberação do último refém, indicaria o caminho para o avanço das negociações. Menos de cinco minutos depois, a polícia invadiu as celas. Bombas de efeito moral foram ouvidas do lado de fora. Pelo celular, detentos davam informações desencontradas a familiares, que se angustiavam.
A notícia era a de que havia uma pessoa morta. Mulheres passaram mal. Houve desmaios. A angústia só terminou com o comunicado oficial da Susipe, com a informação de que não houve feridos.
“Apesar da presença do juiz, a situação ficou tensa e foi necessário intervir. Os detentos começaram a pôr em risco a integridade física do agente feito refém e deles próprios incendiando as celas. Foi uma operação positiva, não houve mortos nem mesmo feridos. O agente fingiu um desmaio e nesse momento houve a intervenção da polícia”, explicou o coordenador geral da Susipe, delegado Robério Pinheiro.
À imprensa, o juiz informou que cerca de 30 presos devem ter direito a alvará de soltura e que buscará um diálogo com outros magistrados para dar celeridade aos processos em andamento.
A Susipe confirmou que nenhum detento ficou machucado. Uma revista foi feita na unidade prisional, além da recontagem dos internos. Os presos que forem identificados como líderes do motim serão transferidos para o Centro de Recuperação Penitenciário do Pará III (CRPPIII), para cumprimento de medida disciplinar. A Susipe informou ainda que a unidade custodia hoje 250 internos, sendo a capacidade para, no máximo, 130.
(Diário do Pará)
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