plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 24°
cotação atual R$


home
POLÍCIA

Pará é marcado pela banalização da violência

Passada a noite de bebedeira, Wedson da Silva Nascimento, 36 anos, resolveu brincar com a arma que portava. Voltando da compra de mais bebida alcoólica com o irmão já pela manhã, o primeiro tiro do dia foi efetuado para cima, já na calçada da casa da famí

twitter Google News

Passada a noite de bebedeira, Wedson da Silva Nascimento, 36 anos, resolveu brincar com a arma que portava. Voltando da compra de mais bebida alcoólica com o irmão já pela manhã, o primeiro tiro do dia foi efetuado para cima, já na calçada da casa da família, como forma de exibição. Diante do pedido para que a prática não fosse repetida para preservar o sono do sobrinho de apenas sete meses, o segundo e o terceiro disparos foram os que ceifaram a vida do irmão no dia do Natal. Marcelo Kleiton da Silva Nascimento, 29 anos, foi um dos dez mortos violentamente em apenas 48 horas.

Caso mais banal dentre os identificados na Região Metropolitana de Belém nas últimas terça e quarta-feiras, a morte de Marcelo foi apenas um dos nove homicídios registrados pelas páginas do DIÁRIO em meio ao feriado de Natal. Com exceção de um homem que morreu vítima de um acidente de trânsito na tarde do dia 25, golpes de terçado, de faca e tiros de armas de fogo ajudaram a engrossar as estatísticas alarmantes de homicídios ocorridos no Estado desde o início do ano.

De acordo com as estatísticas do Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp), ainda em novembro de 2013, o número de homicídios já chegava a 3.531 no Estado do Pará. Passado mais de um mês da última atualização dos dados, a perspectiva é de que esse ano já tenha superado o ano passado, quando foram registrados 3.703 homicídios até 31 de dezembro, em quantidade de assassinatos. “Nós, enquanto entidade de classe, continuamos preocupados com a violência que está tomando conta do nosso Estado”, diz o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil do Pará (Sindpol), Rubens Teixeira. “São dados preocupantes, mas que, para serem solucionados, dependem do esforço de todos os órgãos de segurança”.

Como se a morte de parcela da população comum já não fosse alarmante, dentre os que perderam a vida neste feriado de Natal está mais um policial. Antes mesmo que a categoria se despeça do ano de 2013, o número de policiais mortos desde janeiro já supera os do ano passado. “Em 2012 foram 32 policiais mortos e este ano já foram 34”, lamenta Rubens, ao lembrar que, ao todo, três policiais civis e 31 militares perderam a vida. “É preciso que se faça uma força tarefa no Estado, uma ocupação dos bairros para que se faça uma ‘limpeza’ nesses locais, casa a casa. Mas, para isso, é preciso fazer um levantamento prévio, identificar os elementos e expedir os mandados de busca e apreensão”.

Pobreza é principal motor do aumento da violência

Na visão do antropólogo Romero Ximenes, a dita banalização dos crimes e homicídios na sociedade atual, na verdade, depende do ponto de vista pelo qual se analisa a situação. Diante das circunstâncias impostas pelo próprio sistema atual, o professor relaciona o crescimento da violência, também, às condições vivenciadas pelos que praticam tais crimes. “A banalização é um motivo não expressivo culturalmente. Os crimes que envolvem dívida financeira, do ponto de vista da sociedade, não é banalização. Então, quem vê de fora pode pensar que aquela situação poderia ser contornada, mas para quem pratica pode não ver assim”, acredita. “Na antropologia e na sociologia, toda a sociedade humana fornece uma cota de homicidas e suicidas. Os índices de Belém estão acima das médias mundiais, então, estamos diante de uma bomba relógio social”.

Ao se basear nos dados que apontam que 82% da população da Região Metropolitana de Belém ganha até dois salários mínimos e que, destes, 62% ganham até um salário, o professor analisa o aumento dos índices de violência ao contexto social de extrema pobreza que envolve muitos dos moradores da capital paraense. “A maioria da sociedade vive em um estado permanente de tensão em decorrência da escassez econômica. Diante desse estresse permanente, as pessoas tendem a ser mais agressivas”, avalia. “Belém é uma cidade dolorosamente pobre. A sociedade é preparada para consumir e essas exigências sociais aumentam a angústia social, o sofrimento e tudo isso vai criando tensões sociais que faz com que as pessoas se tornem mais violentas também”.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Polícia

    Leia mais notícias de Polícia. Clique aqui!