Foi sepultado na manhã desta segunda-feira (30), o menino de 13 anos Maicon Machado Goes, que no dia anterior morreu afogado em um braço do rio Maguari, que passa por trás da ocupação “Jardim Atlântico”, no bairro do 40 horas, Ananindeua.
O ambiente no velório era de intensa dor, emoção e arrependimento. No pranto de Cristiane, 29 anos, mãe da vítima, todo o retrato do luto da família. O pai, Paulo, 37 anos, estava inconformado. Foi ele que localizou o filho embaixo d’água, depois do Corpo de Bombeiros ter desistido, devido já ser início de noite.
Cristiane foi quem mandou o filho ir atrás dos irmãos, no braço do rio. Estava muito arrependida. Na tarde de anteontem, Maicon estava na cozinha de casa, com sua mãe e preparavam um café, quando um vizinho veio avisar que os dois irmãos dele, um de 9 e outro de 11, tinham ficado presos do outro lado do braço do rio, e a maré estava enchendo. Certamente as crianças iriam morrer.
Por isso, Cristiane pediu ao filho, que era o seu mais velho, que fosse tentar resgatar as crianças. Maicon foi para o local e, com a ajuda de um vizinho, o aposentado Justino Costa, tentavam um meio de jogar uma corda para os meninos serem puxados.
Como o tempo passava, Maicon resolveu tirar a roupa e, só de sunga, jogou-se na água e nadou até onde os irmãos se encontravam. O menor, de 9 anos, ele colocou no pescoço e tentou retornar.
Ocorre que a correnteza muito forte o impediu. O vizinho conseguiu retirar do seu pescoço o seu irmão e o salvou. O mesmo vizinho, Justino, quando tentou salvar Maicon, perdeu as forças e quase morre afogado.
Ele contou ontem que ainda assistiu o pré-adolescente se bater na correnteza, mas não pode agarrá-lo. A morte do menino movimentou toda a comunidade local. A Polícia foi chamada e o Corpo de Bombeiros.
Como já passava das 18 horas e a busca pelo corpo estava sendo deixada para o dia seguinte. Ocorre que o pai de Maicon, Paulo, chegou do trabalho e tomou conhecimento do fato. De imediato ele foi para o local onde o menino desaparecera e mergulhou várias vezes atrás do cadáver dele, até que o encontrou.
Na manhã de ontem, as famílias da ocupação se juntaram na frente da casa do menino e decidiram pedir aos moradores das casas com quintais que fazem fundo para o “furo” que leva para o rio Maguari, que cerquem seus terrenos e coloquem portões para impedir que outras crianças possam ir para o braço do rio e venham a se afogarem.
(Diário do Pará)
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