Policiais prenderam na noite desta quarta-feira (8), em Belém, Carlos Alberto Araújo da Silva, 43 anos, conhecido como "Neguinho", apontado como responsável pelo assassinato do líder quilombola Teodoro Lalor de Lima, 55. O acusado foi apresentado à delegada Maria Lúcia Santos, da Divisão de Homicídios, responsável pelo inquérito do caso. Carlos está com mandado de prisão temporária de 30 dias expedido pela Justiça. Ele foi encontrado, na casa de familiares, na Passagem Margarida, bairro do Tapanã, em Belém.
Em depoimento, Carlos confirmou a briga com a vítima, mas negou ter dado a facada. Presidente da Associação dos Remanescentes de Quilombo de Gurupá, com sede em Cachoeira do Arari, no Marajó, Teodoro Lima foi morto na madrugada de 19 de agosto do ano passado, com um golpe de faca no peito. O crime teve motivações passionais, pois a vítima tinha envolvimento amoroso com a ex-companheira do acusado.
Após prestar depoimento à delegada, o preso foi transferido para o Centro de Triagem Metropolitano 2, no Complexo Penitenciário de Americano. Carlos Alberto confirmou que conviveu, por mais de quatro meses com a ex-companheira, Antônia Gomes dos Santos, 52 anos.
Na época, o crime teve ampla repercussão, já que a vítima lutava pela titulação dos quilombos na região de Cachoeira do Arari, no Marajó, e havia feito denúncias ao Ministério Público Federal nos últimos anos, sobre supostas ameaças contra quilombolas na região. Após o homicídio, a equipe policial, comandada pela delegada Maria Lúcia dos Santos, passou a investigar o fato e descobriu uma foto de Carlos Alberto. A imagem foi divulgada pela imprensa para conhecimento público.
No dia seguinte ao crime, a equipe da Divisão de Homicídios localizou Antônia, que contou em depoimento que mantinha um relacionamento amoroso com a vítima, o que reforçou que Teodoro foi morto por Carlos por causa de ciúmes. Antônia dos Santos relatou que Teodoro sempre que vinha a Belém, da ilha do Marajó, ia à sua procura no bairro da Cabanagem, pois a filha dele morava perto da casa de Antônia.
A mulher contou ainda que conheceu Carlos Alberto em maio de 2013, e que terminou o envolvimento amoroso com ele em 20 de julho. Segundo Antônia dos Santos, o fim do relacionamento ocorreu após a mulher descobrir que ele era usuário de drogas e que trabalhava como “avião” (entregador de drogas) para traficantes do bairro. Ainda segundo a mulher, Carlos não queria aceitar a separação e até teria lhe jurado de morte. Mesmo assim, Carlos insistia em reatar o relacionamento com a mulher.
Antônia disse ainda, que Teodoro teria pedido para dormir na casa dela e que ela não aceitou, pois havia se separado há pouco tempo. Mesmo assim, Teodoro insistiu e acabou indo até a casa de Antônia, na rua Belém. No local, conforme versão dela, os dois foram surpreendidos por Carlos Alberto, que teria entrado no imóvel, onde aguardava a chegada da mulher.
Carlos agrediu a mulher com um soco no rosto e bateu também em Teodoro. Moradores da área confirmaram aos policiais que foi Carlos o autor do crime. Segundo as testemunhas, a vítima recebeu um golpe e ainda tentou correr, mas não resistiu e morreu.
(DOL com informações da Polícia Civil)
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