O rapaz natural do município paraense de Cachoeira do Piriá (região nordeste) Rodrigo Sousa da Silva, 20 anos, em um gesto considerado tresloucado, subiu, na manhã de ontem, as 9h, em uma torre de telefonia. Foi na Vila de Icoaraci, distrito de Belém.
De muito longe dava para perceber que havia uma pessoa subindo na torre, que fica no centro da vila. Por isso a PM foi acionada e posteriormente o resgate de busca e salvamento do Corpo de Bombeiros.
O tenente Rodrigo, do Corpo de Bombeiros, especializado em missões arriscadas, com um grupo de dez homens, foi atrás do rapaz, inicialmente, querendo negociar com ele, para que desistisse do que se imaginava, pretender, ele, se jogar.
Ao chegar próximo ao topo da torre, Rodrigo estacionou. Logo, os Bombeiros chegaram junto e passaram a conversar.
Já passava das 10h quando isso ocorreu. O rapaz aceitou descer com os Bombeiros, e isso ocorreu lentamente em uma corda, pelo sistema rapell.
No chão, o jovem, aparentando um certo constrangimento, mas comportamento normal para quem acabara de arriscar a vida, sentou em um bloco de concreto e contou o que ocorrera com ele, antes de tomar a decisão de subir na torre.
Rodrigo disse que chegara há seis dias de Cachoeira do Piriá, para se hospedar na casa de um irmão. Ao chegar na casa, soube que o irmão tinha ido para uma outra cidade. Aí começou sua desdita. Não conhecia ninguém. Estava sem dinheiro, sequer para comer, e por isso procurou ajuda, mas em vão.
Rodrigo Sousa disse que foi "na Polícia, na Câmara dos Vereadores, nas igrejas, tanto nas evangélicas, como nessa aí, a Católica (e olhou na direção da igreja matriz da vila, que fica menos de 300 metros da torre de telefonia). Ninguém me acolheu. Eu queria comer e tomar um banho. Também queria uma passagem para o meu lugar, o Piriá. Ninguém me atendeu”.
O rapaz continuou contando: “O vereador que falei disse que eu não era daqui e nem votava aqui. O padre não quis falar comigo e as igrejas evangélicas estavam com as portas fechadas”.
Rodrigo tomou água que lhe foi oferecida pela assistente social Marly Erlene Silva, que o escutava atentamente, e continuou: “Hoje de manhã cedo eu passava aqui nessa rua e encontrei com os moradores dessa casa aí do lado e contei a minha situação. Foi quando o homem de lá me disse que, se ninguém havia me ajudado, que eu então subisse na torre e me jogasse de lá”.
Ele parou de falar, sorriu, bebeu mais água e concluiu: “Eu nunca iria pensar em me jogar. Não sou doido e nem havia passado pela minha cabeça de me jogar. Mas surgiu a ideia. Eu subi mesmo, com a intenção de chamar a atenção. Subindo, quem sabe não aparece alguém pra me ouvir e me dá a passagem que eu quero?”
De imediato, no final do relato do rapaz, a assistente social Marly se comprometeu: “Vou conseguir hoje mesmo, a passagem pra ele”.
Rodrigo foi levado para uma avaliação médica, em uma ambulância do Samu, para o hospital Abelardo Santos, e em seguida liberado para viajar na tarde de ontem.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar