Detentos do Centro de Recuperação de Castanhal (CRCAST) tentaram, na tarde de ontem, uma fuga em massa. Os presos cavaram um buraco na cela e depois do horário de visita esboçaram a fuga. A ação foi descoberta pelos agentes que acionaram a polícia, pensando que vários detentos tinham fugido.
Homens do Grupamento Tático da PM e da Polícia Civil, sob o comando do delegado Marco Antônio e do investigador Miguel das Neves, foram acionados por volta das 16h para o CRCAST. A informação era que mais de 60 presos tinham fugido depois da visita de domingo. Todo o quarteirão foi cercado pelos policiais e várias casas que ficam próximas e atrás do presídio foram revistadas. O pânico tomou conta dos moradores, pois não sabiam o que de fato estava acontecendo. “Eles (polícia) falaram pra a gente ficar em casa, pois iriam revistar tudo. Disseram que tinham fugido vários presos daí”, dizia uma moradora. Outra moradora ficou desesperada com mais uma situação envolvendo os presos do CRCAST. “Mais uma vez isso tá acontecendo e a gente fica vulnerável a isso. Não sabemos a que horas eles (presos) vão entrar aqui em casa. Isso já era pra ter acabado. O governador deveria tirar isso mais rápido, pois não oferece segurança”, disse.
Policiais civis e militares revistaram as casas e subiram nos muros para se certificar de que não havia detentos escondidos nas residências. Já que o túnel descoberto no interior de uma das celas do bloco II dava, teoricamente, acesso para uma casa que fica atrás do presídio. “Estamos olhando tudo para nos certificamos de que não há preso escondido”, disse o investigador Miguel das Neves.
Apesar de toda mobilização policial, cerca de 20 policiais, os agentes prisionais não tinham a confirmação se houve fuga. Os presos foram retirados da cela e colocados no solário, para que houvesse a contagem dos detentos. Depois de duas horas sem dar informações à imprensa, a polícia e aos familiares que estavam do lado de fora, a Susipe informou que não houve fuga. Os presos não tinham terminado de cavar o túnel. “É complicado essa situação, pois toda equipe policial da PM, Tático e até a Polícia Civil veio pra apurar isso aqui. Os familiares também foram maltratados pelos agentes”, disse um policial que preferiu não se identificar.
O túnel descoberto pelos agentes fica numa cela do bloco II, onde ficam 60 presos. Todos os detentos teriam assumido a ação, para não haver racha dentro da cadeia e, consequentemente, mortes. “Vamos apurar isso depois da perícia e ver quais os presos têm participação. Serão indiciados por danos ao patrimônio público”, contou o delegado Marco Antônio.
Peritos do IML foram à cela desativada e confirmaram o túnel cavado pelos presos. De acordo com o perito Júlio César, o buraco estava sendo cavado há aproximadamente três dias e dentro de mais alguns dias a fuga em massa seria concretizada. “O buraco tem um metro de profundidade por dois de comprimento. O túnel ainda estava dentro da cadeia, mas acredito que mais alguns dois ou três dias cavando, aconteceria uma fuga em massa, já que os presos faziam um revezamento”, disse.
O CRCAST tem capacidade para 156 internos, mas atualmente comporta mais de 450 detentos. A direção da casa penal foi procurada para falar sobre o barril de pólvora e sobre a tentativa de fuga, mas os diretores não quiseram falar com a imprensa, pelo contrário, os profissionais que ali trabalhavam registrando mais um fato foram ignorados pelos funcionários da Susipe. Em alguns casos, foram hostis com os profissionais de imprensa.
(Diário do Pará)
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