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POLÍCIA

Assaltos com reféns atormentam Belém

A “Cidade das Mangueiras”, que, dentro de 23 meses completa quatro séculos de fundação, poderá celebrar a data com outro codinome e bem menos agradável: “Belém, a capital do refém”. A expressão é usada, informalmente, nas ruas e redes sociais e já virou s

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A “Cidade das Mangueiras”, que, dentro de 23 meses completa quatro séculos de fundação, poderá celebrar a data com outro codinome e bem menos agradável: “Belém, a capital do refém”. A expressão é usada, informalmente, nas ruas e redes sociais e já virou sinônimo para a insegurança a que todos estão sujeitos, mesmo dentro de suas casas, onde, num piscar de olhos, podem virar personagens de mais um caso policial e, o que é pior, no papel de reféns.

Se em 2013, e numa contagem bem conservadora, os assaltos em que cidadãos viraram “encarcerados ao ar livre”, na região metropolitana da capital paraense, superaram as 50 ocorrências, apenas nos primeiros 45 dias de 2014 essa modalidade criminosa já foi registrada nove vezes, em horários, bairros e com protagonistas diferentes. Em comum entre todas as histórias, a tensão e o medo de crianças, jovens, adultos e idosos, que por alguns momentos - que mais parecem décadas - ficam com a vida por um fio, pelo cano de uma arma ou, ainda, na ponta de uma faca.

Geralmente, e quando fogem de policiais, os criminosos protegem sua integridade física da fúria da população apontando armas para cidadãos indefesos, exigindo coletes à prova de balas, a presença de autoridades jurídicas, familiares e da imprensa, para registrar tudo. Começam a negociação com oficiais da Polícia Militar e, depois de alguns minutos, ou até mesmo horas, se rendem e libertam as vítimas.

Por conta de todo esse cenário, segundo especialistas em segurança, não há uma forma de prevenir um assalto com refém, muito menos se “defender” de se tornar um refém, já que a ação pode acontecer em qualquer lugar e hora e o infrator, coagido, acaba usando a vítima como escudo diante dos policiais. “O que se deve fazer é manter a calma, não reagir em nenhuma hipótese e nem agir de forma brusca. Tem que deixar para os policiais os procedimentos necessários para por fim à crise e dar desfecho à ocorrência de forma segura para todos os envolvidos”, informa o major Leno Carmo, que responde pela assessoria de comunicação da Polícia Militar.

GERENCIAMENTO DE CRISE

O gerenciamento de uma crise, especificamente em que a vida de pessoas inocentes é colocada em risco, é dos mais delicados. Envolve paciência, raciocínio rápido e muita psicologia, para lidar com os assaltantes, os reféns, a população em volta, a imprensa e a família dos envolvidos. O policial militar é treinado, ainda na academia, para gerenciar tensões desde o que se classifica por contenção (para evitar que a crise se espalhe ou ganhe maiores proporções), até o isolamento do local e o começo das negociações. E vai para a “linha de frente” o policial que atender alguns critérios bem variáveis, mas que basicamente dependem de fatores como o local, o grau de experiência e condições gerais de aptidão.

“O importante é deixar claro que no gerenciamento de crises é preciso em primeiro lugar preservar a vida (do policial, da vítima, do tomador de refém) e, segundo, aplicar a lei; por isso a negociação abrange a clareza de intenções e a verdade da ação policial, além da paciência e do uso de técnicas comunicacionais, sem fragilizar a segurança. É dentro desta linha formativa que o policial aprimora seu conhecimento no gerenciamento de crises, considerando sua missão constitucional e o preparo pessoal (conhecimento, legalidade, condições psicológicas e físicas, relevância dos direitos humanos, uso da técnica e tática policial) para a atividade de gerenciamento de crises”, acrescenta o oficial PM.

A Polícia Militar, diz ainda Leno Carmo, investe em operações de patrulhamento e barreiras policiais, com o apoio da Polícia Civil, Detran, CPC “Renato Chaves”, Conselho Tutelar e Semob, dentre outras instituições. “Aumentando a ostensividade das ações, podemos em maior número, evitar que muitos crimes ocorram. Por isso grandes operações como a “Minerva” e Hypnus também compõem este trabalho que no entanto, também pode ter seus efeitos potencializados com medidas preventivas por parte da população e pela cessão de informações via disque-denúncia (181), quando o cidadão pode fazer sua denúncia sem a necessidade de identificar-se e podendo, ainda, agregar novas informações em qualquer tempo”, justifica o militar.

SEM SEGURANÇA

Apesar de todo o aparato e do investimento divulgado pela corporação, a população não se sente segura em andar nas ruas de Belém. “Foram nove os assaltos com reféns em um mês e meio em Belém? Que coisa. Acredita que presenciei três deles e todos em bairros não distantes do centro da cidade e de dia? Em Belém se tem tudo, menos segurança. E, na verdade, a polícia só aparece mesmo para contornar a ‘parada’ depois que o ‘circo’ já tá armado, o assaltante já fez o escândalo e só o que resta fazer é negociar”, lamenta o autônomo João de Abreu, que nasceu, cresceu e vive em Belém há 48 anos.

Ex-reféns e também assaltantes, procurados pela reportagem, preferiram se guardar em silêncio. “Falar mais o quê? A imprensa já divulgou tudo naquele dia, em que quase perdi a vida”, diz, revoltada, uma vítima recente.

(Diário do Pará)

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