Vizinhos e amigos de um adolescente de 15 anos, supostamente morto por engano no final da tarde do último sábado (15), na Passagem Vilhena, no bairro da Terra Firme, realizaram um protesto durante a madrugada de ontem, na Rua Celso Malcher. Eles estavam revoltados pela morte do jovem que comprava pão , quando teria sido baleado por um cabo da Polícia Militar durante uma troca de tiros com bandidos, que tentavam assaltar uma panificadora.
No começo da noite de ontem, eles voltaram a protestar no local, pois afirmavam que o policial foi detido e, depois de algumas horas, solto.
TROCA DE TIROS
Segundo informações, o cabo Edilson Machado Silva, lotado no Comando Geral da Polícia Militar, teria presenciado o momento em que três criminosos anunciaram um assalto. Segundo testemunhas, o policial se deparou com a situação e trocou tiros com um dos bandidos que usava uma arma de fogo.
Conforme o delegado João Carlos do Carmo, que estava de plantão na Unidade Integrada Pró-Paz (UIPP), da Terra Firme, “o suspeito correu na mesma direção que o jovem corria. A vítima estava em via pública e enquanto o bandido trocava tiros com o policial, como eles estavam na mesma direção no meio do tiroteio, o PM acabou atingindo o adolescente”. Segundo o delegado, o cabo PM Edilson foi indiciado por crime de homicídio culposo – quando não há a intenção de matar.
Em depoimento, o policial alegou que “trocou tiros com os criminosos ao perceber uma tentativa de assalto a uma panificadora”. Além disso, ele contou que “não atentou ao fato de ter baleado uma pessoa”. Diante da acusação e confissão feita por parentes da vítima e testemunhas, ele foi detido por policiais da 4ª Companhia (Cia)/20º Batalhão de Polícia Militar (BPM) indiciado em flagrante e responderá o crime em liberdade. Ontem mesmo ele foi liberado.
PROTESTO
Porém, os amigos e vizinhos do adolescente não estavam satisfeitos. No início da madrugada de ontem eles interditaram a Rua Celso Malcher e atearam fogo em pedaços de madeira, pneus, papelões para pedir justiça.
A tia da vítima, Luziana Miranda Gomes, de 34 anos, contou que o policial estaria consumindo bebidas alcoólicas no momento do tiroteio e teria confundido o adolescente com um dos assaltantes.
“O meu sobrinho foi comprar pão na padaria e na hora que ele estava lá uns bandidos anunciaram um assalto na panificadora. O policial, o cabo Edilson, estava bebendo perto da padaria e quando viu a situação atirou nos bandidos e atingiu o meu sobrinho, que não tinha nada a ver. Ele confundiu o meu sobrinho com um dos bandidos. Ele estudava, trabalhava e não era bandido”, disse.
Conforme ela, o policial teria sido escoltado por colegas de farda até a sua residência, após prestar depoimento.
“Ele foi levado com toda a segurança para a casa dele, que fica aqui perto. Várias viaturas estão lá ‘vigiando’ a frente da casa do cabo Edilson porque a gente disse que ia incendiar a casa dele. Nós queremos Justiça porque ele não pode matar um adolescente, um rapaz trabalhador e estudante e ficar na casa dele, como se não tivesse feito nada”, finalizou.
(Diário do Pará)
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