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POLÍCIA

Roubos de veículos crescem 45% no Pará

No Pará, nos últimos dois anos, roubos e furtos a veículos, entre motocicleta e carro, aumentaram em mais de 45%. Os dados do Sistema de Trânsito do ano passado, registrados na Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos, vinculada a Divisão de R

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No Pará, nos últimos dois anos, roubos e furtos a veículos, entre motocicleta e carro, aumentaram em mais de 45%. Os dados do Sistema de Trânsito do ano passado, registrados na Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos, vinculada a Divisão de Repressão contra o Crime Organizada (DRCO) de fato são alarmantes: a cada hora e meia, um veículo é roubado no nosso Estado. Já que se compararmos ao ano anterior, houve um acréscimo de veículos nas mãos dos bandidos que foram retirados em sua maioria à força das mãos dos verdadeiros donos e em menor tempo. Por outro lado, os números também revelam que o trabalho da polícia especializada de combate a esse tipo de crime tem sido feito, mas o problema da criminalidade tem aumentado e atinge todos os setores, inclusive o automotivo, devido a migração dos autores do delito.

A maioria dos registros feitos nas delegacias comuns e especializada continua sendo de roubos e furtos a motocicletas, pois é considerado um veículo de fácil acesso, da mesma forma como existe uma facilidade grande de descoberta, mas ainda é um trabalho difícil e árduo para a polícia localizá-lo.

De acordo com a DRFV, em 2012 foram 4.578 veículos roubados e furtados, desse total, média de 38,14% foi recuperado. Já no ano passado, os delitos aumentaram para 5.521, uma média de 32,57 % já recuperados.

A delegada Flávia Leal explicou que esses números significam o resumo da ação dos bandidos em todo o Estado. Segundo ela, eles agem em grupo, formam quadrilhas, algumas especializadas nessa modalidade e outras migraram dos mais variados golpes onde foram frustrados ou que não estão mais “rendendo”. Algumas utilizam o roubo a veículos para financiar crimes como o do tráfico de drogas e recrutar “soldados” – adolescentes destemidos e que possuem uma única consciência: logo estarão de volta à sociedade.

“São vários tipos e de todo o gosto: gente que é daqui, rouba e vende aqui, outros levam para fora. Pessoas que não são paraenses roubam aqui e vendem fora. Mas o fato é que não agem sozinhos, no mínimo seis pessoas no esquema, seja qual for o destino. Embora a polícia tenha trabalhado mais, prendido mais e recuperado mais, ainda assim, os números aumentaram, infelizmente o roubo cresceu também. Isso prova que a criminalidade não é um problema apenas de polícia”, diz Leal.

Bandidos “migram” para crimes mais rentáveis

Segundo a delegada Flávia Leal, o criminoso migra para outra modalidade, por isso, quanto mais se prende, mais quadrilhas e ladrões são descobertos, como foi o caso recente publicado no DIÁRIO, dia 14 do mês passado, quando um bando que roubava carros no Pará e levavam para o Estado do Maranhão. Eles falsificavam documentos e peças originais que possuem numeração exclusiva. No dia seguinte, a Polícia Civil da DRFV desvendou no município de Castanhal, uma oficina ilegal de desmanche de veículos roubados. Uma moto que o dono da oficina – preso no mesmo dia – utilizava, estava com chassi e motor adulterados, sendo oriundo do município de Marapanim. Além disso, vidros de carros desmanchados, todos com registros de furto e roubo.

“Antigamente as financiadoras tinham sistemas muito fáceis, mas hoje o sistema bancário endureceu as facilidades. De certa forma, as quadrilhas que trabalhavam com a fraude, migraram para o roubo, mas eles não põem a mão no gatilho. Eles compram a arma e fornecem, e quem comete é essa massa de adolescente que está aí. Eles contam aqui pra gente em depoimento. O mais pernicioso não é quem rouba, e sim quem comanda o esquema. Quando se prende um hoje, já tem outro soldadinho, por que tem quem financie. E é nesse foco que trabalhamos”, detalhou a delegada Flávia Leal.

Ela diz que quando os traficantes viram que as formas de identificação veicular são as mesmas há muitos anos e que nada mudou, eles resolveram agir de forma diferente. Se especializaram e possuem hoje diversas técnicas para descaracterizar o veículo original. “A única forma que foi alterada foi quanto à tecnologia de funcionamento com as chaves modificadas. Isso já deu resultado positivo, tendo em vista que quase acabaram os furtos, uma vez que os registros são cada vez menores”.

Quando se fala em migrar para outros crimes, a delegada dá um exemplo muito claro em relação ao tráfico de drogas. Quando os chefes do tráfico estão sem capital, ou mesmo os usuários não têm como alimentar o vício, a “solução” é roubar moto.

(Diário do Pará)

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