O professor de capoeira, também funcionário público do município, José Carlos Pacheco Dias, 52, mais conhecido como “Carlos Macapá”, foi encontrado morto no início da tarde de ontem, dentro do kit-net onde morava no bairro do Bengui, em Belém. José foi golpeado a faca e já estava em processo de decomposição. Segundo os peritos criminalísticos, ele teria sido morto há pelo menos cinco dias. A vítima também era homossexual.
Era por volta das 14h quando a Polícia Militar foi acionada para verificar o corpo do homem. A casa onde a vítima morava sozinha não apresentava vestígios de arrombamento, mas muitos objetos de José estavam revirados, porém, ninguém pôde afirmar se algum pertence do professor havia sido roubado.
“Porta e cadeado estavam trancados. Um amigo dele que tinha a chave foi quem o encontrou. Ele não foi morto ontem. O mau cheiro é muito forte. Há duas facas: Uma enfiada no pescoço e a outra sem o cabo foi encontrada próxima do cadáver”, detalhou Sarmento, cabo do Motopatrulhamento, 1º BPM/4ª Cia. José estava sentado próximo à cama dentro do quarto.
O funcionário morava sozinho há alguns anos no quarto de cima, nº 300 A, de um pequeno prédio de kit-nets na rua José Machado, esquina com a rua São Pedro, naquele bairro. Ele também era carnavalesco no município de Tucuruí, interior do Pará.
Vizinhos teriam sentido o mau cheiro que já exalava desde a segunda-feira (07). “Meu filho pensou que fosse rato morto. Chegou a procurar, mas não encontrou. Não sabia de onde vinha”, comentou José Ari, vizinho de “Carlos Macapá”.
A morte do homem só ficou conhecida quando colegas de trabalho sentiram falta dele no primeiro dia da semana, quando ele deveria lecionar as aulas de capoeira. Um dos amigos da vítima, que possuía uma cópia da chave do kit-net, esteve no início da tarde de ontem à sua procura e se deparou com o cadáver. José não possuía parentes no Estado, todos os familiares moram no Amapá.
Segundo a perita Carolina, o homem estava em estado de liquefação, uma das fases do processo de decomposição do corpo humano. Para os peritos, José poderia ter sido assassinado no último final de semana, sexta-feira ou sábado.
Policiais civis da Divisão de Homicídios estiveram no local do crime em busca de mais informações para elucidar o caso. Algumas pessoas foram questionadas sobre o fato, mas nada teriam visto ou ouvido nos últimos dias. Ainda não há suspeitos da autoria do assassinato. A delegada Cristina Esteves está à frente das investigações.
Além de funcionário público, professor e carnavalesco, José também era um dos coordenadores da Associação dos Moradores do Bengui. Seria ainda uma pessoa pacata, sem muitas amizades na vizinhança. “Ele era muito amigo”, lamentou Maria dos Anjos, ex-vizinha do homem.
(Diário do Pará)
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