Um pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público de Marabá contra os policiais civis Jorge Tadeu do Espírito Santo Guilhon, Marcelo Serra Rocha e Rodrigo Paiva de Barros, acusados de estupro e concussão por uma adolescente, de 17 anos, foi negado pelo juiz da 4ª Vara Penal do município, Emerson Benjamim Pereira de Carvalho. Ele afirma na decisão que “faltam elementos” para que a prisão seja decretada. “Não existe dano à credibilidade da Justiça, já que o MPE agiu assim que recebeu a denúncia e o Poder Judiciário marcou audiência de instrução e julgamento para esta semana”, acrescenta o magistrado.
Segundo o juiz, não existem denúncias de ameaças por parte da adolescente ou de testemunhas. A possibilidade de que os réus cometam crime semelhante se continuarem trabalhando pode ser resolvida com o afastamento dos acusados. Na quinta-feira da semana passada, os policiais foram ouvidos em depoimento na Corregedoria de Marabá, negando as acusações da adolescente.
Ela foi submetida a uma perícia sexológica, a pedido da delegada Viviane Flores, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), do município de Redenção, no dia 13 de janeiro, dois dias após o suposto estupro dentro do banheiro da delegacia de polícia de Marabá e em um quarto de hotel da cidade.
O exame foi realizado pelos médicos André Mourão e Edson Silva, em um hospital. O laudo por eles elaborado diz não haver indícios de que a menor teria mantido relações sexuais entre o dia 11 e o dia em que o exame foi realizado. Um cunhado da garota chegou a gravar um vídeo, inocentando os policiais e afirmando que a adolescente teria “mentido”. No último dia 11, Cristiane Ferreira, delegada adjunta da Polícia Civil, informou que através do GPS da viatura dos policiais foi constatada a contradição nos depoimentos dos suspeitos. De acordo com a Corregedoria, quando o procedimento for concluído e se for atestada a culpa dos policiais, eles serão demitidos e devem responder judicialmente.
Transferidos
A versão da jovem é de que ela teria permanecido mais de 15 minutos em um hotel, onde teria sido abusada pela segunda vez. A versão coincidiu com o tempo do GPS, que foi de 18 minutos. A Corregedoria de Polícia Civil também apura a atitude do delegado Reinaldo Marques Junior, que estava de plantão no dia do ocorrido, já que ele prendeu uma menor de idade, sem ser um flagrante, na qualidade de testemunha, e não acionou o Conselho Tutelar. A polícia já decidiu que os três acusados não ficarão mais em Marabá e devem ser transferidos para outros municípios cujos nomes não foram revelados.
(Diário do Pará)
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