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POLÍCIA

Governo quer esquecer tragédia em Icoaraci

Um mês após o motim que matou 12 dos 21 detentos que estavam encarcerados na chamada “Cela 25”, uma espécie de seguro no Centro de Detenção Provisório, em Icoaraci, o governo do Estado silencia, e pelo andar da carruagem, o assunto acabou virando estat

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Um mês após o motim que matou 12 dos 21 detentos que estavam encarcerados na chamada “Cela 25”, uma espécie de seguro no Centro de Detenção Provisório, em Icoaraci, o governo do Estado silencia, e pelo andar da carruagem, o assunto acabou virando estatística.

O DIÁRIO teve acesso a informações que não foram divulgadas quanto ao motivo real do motim na “Cela 25”. Uma fonte por nós consultada afirma que a culpa pela tragédia foi a demora das refeições naquele fatídico dia resultando na morte imediata de cinco presos e, na sequência, mais sete acabaram morrendo no Hospital Metropolitano em Ananindeua.

O passo a passo daquele dia 8 de março de 2014 foram descritos por um detento que recebeu alvará de soltura após a tragédia no CDPI. Ele disse que o café da manhã, que geralmente é servido até as 7h da manhã, naquele dia chegou por volta das 9h.

O almoço que chega sempre às 11h, a empresa fornecedora também atrasou e só chegou por volta das 14h. Até então os presos continuavam suportando a situação sem nenhum alarde, o que teria chamado atenção dos agentes prisionais, acostumados a reclamações quando tal fato acontece.

O estopim da revolta dentro do CDPI em Icoaraci começou depois que passou das 17h e os presos não notaram a chegada da alimentação da noite, iniciando o que eles chamam de “baque-baque” - ações onde todos batem nas grades das portas das celas para chamar a atenção.

Ocorre que este “sinal” também corresponde a um início de rebelião e os detentos da “Cela 25”, conhecedores do código, resolveram se proteger fazendo uma barricada com colchonetes de espuma, lençóis e roupas enquanto o “baque-baque”, vindo dos que eles chamam na gíria da cadeia de “vila”, aumentava a cada instante.

A agonia dos 32 detentos da “Cela 25” cresceu e, para chamar atenção dos agentes penitenciários, os presos resolveram atear fogo em algumas peças de roupa. Como o ar estava rarefeito dentro da cela, logo se propagou pegando nos colchonetes que são fabricados com espuma e produzindo um gás tóxico que mata em minutos.

A dificuldade para abrir a cela foi tão grande - a fumaça e os ferros incandescentes das grades impediram tal procedimento - que foi feito por trás na parede furando um buraco para tentar salvar quem ainda estava com vida.

A falta de oxigênio dentro da “Cela 25” acabou também provocando uma reação assim que o buraco foi aberto e rapidamente os presos que puderam sair foram colocados para fora, mas já tinham inalado o gás venenoso.

Doze detentos deram entrada em estado gravíssimo, com quase 100% do corpo queimado sendo encaminhados em caráter de urgência para a Unidade de Terapia Intensiva respirando com ajuda de aparelhos enquanto cinco deles foram internados apresentando quadro estável.

No decorrer dos dias os detentos foram piorando, morrendo um atrás do outro devido a complicações pulmonares e com o serviço de Pronto-Atendimento do hospital lotado, foi empregado o “Protocolo de Catástrofe” que recomenda equipes médicas de urgência e emergência concentradas no atendimento aos detentos vítimas do incêndio.

Policiais militares e do Corpo de Bombeiros, que tiveram acesso a área logo depois de controlado o incêndio encontraram duas Bíblias totalmente intactas dentro do local.

(Diário do Pará)

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