Para escapar do assalto, Cleoson Couto, 46 anos, avançou com o ônibus a toda velocidade por cima de uma barricada formada por dois camburões de lixo. A cena dramática não faz parte de nenhum filme de ação. Como a de Cleoson, é possível encontrar históricas parecidas entre os motoristas e cobradores que trafegam nas linhas Icuí – Presidente Vargas e Icuí – Ver-o-Peso. No final da linha dos ônibus, localizada no bairro do Icuí-Guajará, próximo ao Conjunto Uirapuru, assaltos assustam passageiros, moradores e rodoviários.
George Macedo, 25 anos, trabalha há três anos em um ônibus que faz linha no Icuí-Guajará. Em 2012, o motorista viveu uma experiência que não irá esquecer. “Dois assaltantes armados abordaram a gente e me obrigaram a entrar com o ônibus por um beco. Era muito estreito e eu fui arrastando o carro pelos muros. Chegando lá, tinha mais sete caras esperando a gente”, relata. Depois de render cobrador e motorista, os criminosos insistiam em pedir a chave do cofre do ônibus, que fica na garagem da empresa. “Me deram coronhadas na cabeça. Sorte que conseguiram arrombar logo o cofre e foram embora”, diz George.
No final da linha do Icuí-Guajará, lama e buracos, associados à iluminação deficiente, colocam em risco não só os rodoviários, mas também os moradores da área. Ana Cleide Rodrigues, 45 anos, mantém um pequeno comércio que atende, principalmente, rodoviários nos intervalos entre as viagens.
“Por causa dos buracos, os motoristas têm que andar devagar, aí os assaltantes aproveitam. É um risco pra gente que mora perto também”, diz Ana Cleide. Para a moradora, é necessário investir em infraestrutura e policiamento.
(Diário do Pará)
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