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POLÍCIA

Belém entra na rota de roubo a bancos

Mais comuns, até pouco tempo atrás, em municípios do interior do Estado, crimes como o da modalidade sapatinho – onde o bancário é sequestrado para garantir o acesso forçado ao cofre da agência em que trabalha – tem sido cada vez mais frequentes também

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Mais comuns, até pouco tempo atrás, em municípios do interior do Estado, crimes como o da modalidade sapatinho – onde o bancário é sequestrado para garantir o acesso forçado ao cofre da agência em que trabalha – tem sido cada vez mais frequentes também na capital paraense. Desde o início do ano até o último mês de maio, cinco Postos de Atendimento Bancário (PAB) já foram assaltados em Belém, segundo o Sindicato dos Bancários do Pará, o equivalente à média alarmante de um assalto por mês.

Último dos crimes do tipo cometidos na capital, a captura de um bancário e seus filhos ainda na porta de casa na última quarta-feira, 28 de maio, é mais uma demonstração da insegurança sofrida por funcionários de bancos na capital e no Estado. Obrigado a retirar dinheiro do PAB do Banpará localizado dentro do Centur enquanto seus filhos estavam sob a posse de outra parte da quadrilha, o bancário foi liberado antes dos criminosos fugirem do local.

Convencidos de que uma das saídas para evitar a ocorrência desse tipo de crime é o aprimoramento do sistema de segurança dos bancos, o Sindicato dos Bancários afirma que já vem cobrando providências há algum tempo. “A gente vem cobrando mais segurança para os funcionários da agência não é de hoje. Casos de crimes como o do sapatinho acontecem muito em função de não ter um sistema de travamento (dos cofres) mais eficaz. Hoje esse acesso fica muito ao cargo do bancário”, acredita a presidente do sindicato, Rosalina Amorim. “Seria necessário que tivesse um monitoramento on-line, um travamento eletrônico do cofre e a utilização de uma empresa de segurança especializada nos postos de atendimento”.

Obrigados a conviver com a segurança precária nos próprios locais de trabalho, Rosalina afirma que os bancários estão cada vez mais temerosos. “O que antes era muito comum no interior está migrando para Belém e o funcionário é quem fica mais vulnerável. Cada bancário se sente ameaçado. A cada notícia, cada caso, eles ficam mais temerosos”, afirma. “É preciso que também tenhamos uma segurança pública mais eficaz. Há casos que nunca tiveram solução, que não se viu sequer as pessoas serem presas. Quando isso acontece, essas quadrilhas voltam a atuar, estudando a rotina do banco, estudando a rotina do trabalhador para agir”.

Segundo o delegado da Divisão de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil do Estado do Pará (DRCO), Ivanildo Santos, a polícia tem conseguido êxito na repressão a esse tipo de crime. “Esse tipo de crime é um dos que temos mais eficiência na repressão. Recentemente um dos líderes dessas quadrilhas foi preso em Fortaleza. Mas o resto dos integrantes da quadrilha dele continua agindo”, destaca, ao revelar novidades sobre a investigação da quadrilha que assaltou o PAB do Banpará na última quarta-feira. “Temos praticamente todos os integrantes identificados”.

Assim como a percepção do Sindicato dos Bancários, o delegado destaca a fragilidade do sistema de segurança das próprias agências bancárias. “Temos dois tipos de ocorrências relacionadas às agências bancárias: o assalto comum e o ‘sapatinho’. O assalto em si é mais raro, em Belém principalmente. O que está ocorrendo, de forma pontual, é a sequência de assaltos da modalidade ‘sapatinho’”, afirma. “Esse tipo de crime só dá certo porque o bancário, ou o gerente ou o tesoureiro, fica com a chave e a senha do cofre. Se mudassem essa forma de acesso, a ocorrência diminuiria”.

Especializados no assunto, os criminosos que costumam praticar o ‘sapatinho’ tem o hábito de estudar a rotina das agências e do funcionário antes de agir. Segundo o delegado, geralmente essas pessoas vão à agência e verificam a movimentação de funcionários, identificando em que carro o gerente ou o tesoureiro chegam ao local. Esperando já do lado de fora, os membros da quadrilha aguardam o bancário sair no carro identificado, o seguem até sua residência e passam a estudar a sua rotina. “Esses criminosos estão tendo facilidade porque as agências não têm um sistema de proteção mais eficiente”.

O delegado lembra, ainda, que geralmente a polícia só é avisada quando o crime já aconteceu, dificultando a interceptação antes que a quadrilha fuja. “Quando os funcionários percebem que o gerente não apareceu e entram em contato com a polícia, nós conseguimos cercar a agência e impedir que a quadrilha fuja. O que ocorre é que ninguém avisa, só comunicam depois que levaram o dinheiro”.

(Diário do Pará)

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