Ela começou a morar na residência em 2004, como empregada doméstica e acabou tendo um relacionamento amoroso com o patrão. Alguns anos depois, ela passou a agredir, o então, marido e no dia 7 de maio desse ano, o envenenou com uma substância conhecida como “Chumbinho”, misturando o veneno com açaí. A vítima tinha 73 anos e não foi identificada. O idoso foi encontrado morto na casa onde o casal morava, em Icoaraci. Essa é a versão apresentada pela polícia.
Nádia de Nazaré Mendes Cunha, de 45 anos, foi detida por volta das 15h30 de ontem, no local onde ela trabalhava, em uma lanchonete localizada na Augusto Montenegro. Ela teve a prisão preventiva decretada ontem mesmo e a Polícia Civil efetuou a prisão.
De acordo com delegado Eduardo Rollo da Divisão de Homicídios, a vítima já havia registrado ocorrências na delegacia do idoso, em 2012 e 2013, por conta dos maus-tratos que vinha sofrendo dentro de casa. Segundo as ocorrências com os depoimentos do idoso, Nádia teria se negado a deixar a casa, alegando união estável e pediu, inicialmente, uma quantia de 30 mil para se separar. Em seguida, ela exigiu 150 mil e até 500 mil.
Na casa, o casal vivia com um filho do idoso, de 45 anos, que é portador de necessidades especiais e com uma adolescente, de 16 anos, filha de Nádia. Segundo o delegado, o idoso chegou a instalar câmeras de segurança pela casa, na tentativa de flagrar as agressões e apresentar as filmagens para a polícia.
“Em uma das filmagens ela aparece quebrando uma câmera com uma vassoura. Depois disso, ele retirou as câmeras da casa, mas uma testemunha guardou as filmagens e nós tivemos acesso. Em uma dessas filmagens, com a data do crime, ela aparece colocando uma substância dentro do liquidificador com açaí e no depoimento ela alegou que não manipulou o açaí que a vítima tomou”.
Desconfiados da morte do idoso, a família pediu uma necropsia, que constatou o envenenamento. “No dia da morte, ele tinha uma audiência por conta das ocorrências que ele havia registrado. Anteriormente, ele também havia faltado uma audiência com problemas estomacais. Essas evidências despertaram a família e também a polícia. Então, da delegacia do idoso, o caso passou a ser investigado pela delegacia de homicídios”.
O delegado relatou ainda que segundo depoimentos de testemunhas, o idoso sofreu várias agressões. “Uma pessoa contou que ela já tinha o perseguido com uma faca e outra relatou que até com um martelo ela tentou agredir a vítima. O idoso tinha medo também que ela fizesse algo contra o filho dele que era deficiente. Então ele aparece nas filmagens carregando o filho e o colocando em uma cadeira de rodas, saindo com ele de casa, para evitar qualquer agressão”.
Nádia negou ter assassinado o então companheiro. Ela está detida e ficará à disposição da Justiça.
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