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POLÍCIA

Revolta dá o tom na despedida de cobrador

Dezenas de amigos, familiares e colegas de profissão de Johnny Siqueira, 27, cobrador de ônibus assassinado na última quinta-feira (24) durante assalto em Ananindeua, se despediram na tarde de ontem no velório realizado em um cemitério particular no munic

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Dezenas de amigos, familiares e colegas de profissão de Johnny Siqueira, 27, cobrador de ônibus assassinado na última quinta-feira (24) durante assalto em Ananindeua, se despediram na tarde de ontem no velório realizado em um cemitério particular no município de Marituba. O sentimento de dor pela morte violenta do rapaz se misturou com o único desejo: justiça.

“Estava trabalhando quando meu celular tocou e me disseram que eles tinham dado dois tiros, mas na verdade foram três. Cheguei a passar mal com a notícia. Tudo aconteceu muito rápido. Até agora ainda estamos abalados. A mãe dele nem conseguiu vir até aqui”, disse Reginaldo Ferreira, pai de Johnny.

Familiares e amigos estavam inconsoláveis. Muitos ainda não acreditavam no que havia acontecido. “Não tem um mês que quatro bandidos armados invadiram o ponto de final de linha e levaram dinheiro, celular e tudo que puderam dos trabalhadores em plena luz do dia. Estamos reféns a cada instante, sequer podemos reagir”, desabafou Rafael Costa, motorista.

Outros tentavam guardar somente as boas lembranças. “Ele não deixava faltar nada em casa para os filhos. Sempre brincalhão e prestativo. Uma pessoa que com toda certeza vai fazer falta pra todos”, comentou Keila Marques, prima.

Após o velório que aconteceu na residência de familiares do rapaz, localizado na conjunto Jardim Brasil, na rodovia Mário Covas, em Ananindeua, pelo menos seis ônibus levaram as pessoas até o cemitério para o último adeus a Johnny que deixou viúva e três filhos ainda pequenos.Vários colegas de profissão de Johnny se uniram em oração e fizeram uma grande corrente para relembrar o caráter e os momentos bons que viveram com o cobrador. “A gente jogava bola junto. Não é por que ele morreu, mas ele era um cara nota dez. Nunca discutiu com ninguém. Era muito tranquilo e gente boa”, acrescentou Rafael.

INSEGURANÇA

Apesar da prisão dos dois envolvidos ter acontecido em menos de 24h, a categoria dos rodoviários ainda não está satisfeita com a insegurança que assusta o cotidiano de quem trabalha dentro do coletivo, principalmente diante dos casos de violência onde trabalhadores são vítimas de assalto.

“Quando tinha PM-Box já acontecia, agora que nem isso tem mais, apenas as rondas de viaturas, não para. Não temos policiamento, somente promessas”, reclamou Max Cardoso, motorista da mesma empresa onde Johnny trabalhava há três anos.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Ananindeua e Marituba, Huelem Ferreira, disse que caso o secretário de segurança pública do Estado não se pronuncie em reunião agendada para a próxima segunda-feira (28), uma nova paralisação deverá reunir rodoviários na BR-316. “Estamos cansados de reivindicar, registrar boletins de ocorrência e nada ser feito. Queremos atitude!”.“Daqui pra frente, peço justiça para os que trabalhavam com ele. Porque um dos meus filhos que era carinhoso, gaiato, que chegava e me abraçava, pedia benção, não tenho mais”, lamentou Reginaldo.

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