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POLÍCIA

Onda de assaltos acua os moradores da Guanabara

Independente da hora do dia, o medo constante faz com que o percurso de casa até a entrada pela rodovia BR-316 pareça sempre maior do que realmente é. Sem grande movimentação além dos carros que passam em velocidade, a insegurança é praticamente a única c

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Independente da hora do dia, o medo constante faz com que o percurso de casa até a entrada pela rodovia BR-316 pareça sempre maior do que realmente é. Sem grande movimentação além dos carros que passam em velocidade, a insegurança é praticamente a única companhia de quem precisa circular pela rua Ricardo Borges, onde um taxista foi assassinado na noite do domingo passado. E não é apenas lá: o risco de assaltos é cotidiano em muitas outras vias do bairro da Guanabara, em Ananindeua.

Ocupada por muitos condomínios fechados, por empresas, uma escola e pequenos comércios, a rua Ricardo Borges, que inicia ainda na rodovia BR-316, preocupa quem precisa seguir a pé. Sem que muitos pedestres sejam vistos ao mesmo tempo, a caminhada é seguida quase sempre sem companhia. Mãos firmes na alça da bolsa, qualquer aproximação, seja de moto ou bicicleta, causa estremecimento.

“Aqui nesse pedaço é onde dizem que é mais perigoso. A gente sai de casa porque tem que sair, mas vai com medo”, confessa a revendedora Valdilene França, 48, na saída para o trabalho. “Uma vizinha minha já foi assaltada por um motoqueiro. Tem uma senhora que mora mais alí na frente também que mês passado viu a filha ser assaltada na frente de casa. Levaram a bolsa com tudo”.

As histórias de assaltos já acontecidos no local não precisam de esforço para vir à memória. Moradora de um conjunto não tão distante da rodovia, a revendedora não esconde que tem os hábitos delimitados pelo medo. O que pode ser feito para evitar qualquer situação de risco é tido como prioridade. “Eu não saio de casa no final de semana porque é quando isso aqui fica mais deserto ainda. Eu só saio quando é muito necessário mesmo, e eu sempre peço pros meus filhos me trazerem em casa”, previne-se. “Aqui é tanta gente que depende de ônibus, que precisa andar à pé esse pedaço... seria muito bom se tivesse mais policiamento por aqui pras pessoas poderem sair de casa sem tanto medo”.

ROUBA-ROUBA

Morador de uma das poucas casas construídas na rua – em sua maioria, as moradias residenciais são formadas por condomínios, o pedreiro Ricardo Pinheiro dá razão ao medo sentido pela mulher que caminha sozinha até a saída da rua. Pelo o que ele já viu e ouviu nos anos em que já mora na rua Ricardo Borges, as mulheres com bolsas são as vítimas mais comuns. “Segurança aqui é zero!. Lá pelas 13h já começa a ficar mais complicado e piora mais ainda lá pelas 20h. É nessas horas que começa o rouba-rouba de bolsa de mulher. É assalto direto”.

Com os horários já certos em mente, a saída de casa é sempre cronometrada. É preciso estar de volta antes que a insegurança comece a aumentar à medida em que o dia vai escurecendo. Sem que muitas viaturas policiais sejam vistas no local, segundo o morador, a garantia é tida por um evento incerto. “Aqui a gente conta com a sorte. Raramente passa uma viatura por aqui.

Hoje [ontem] é que deve ter uma passando só porque teve esse crime ontem”, refere-se ao assassinato do taxista Ivo Donza da Silva, morto com onze facadas por volta de 20h de domingo. “Aqui não pode passar com celular. Se o celular tocar no meio da rua, é assalto. Se a pessoa não tiver dinheiro pra pagar um mototáxi lá na BR pra entrar, tá se arriscando”.


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(Diário do Pará)

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