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POLÍCIA

Efetivo da PM é três vezes menor que o necessário

O levantamento feito pela Organização das Nações Unidas (ONU) revela que um policial deveria atender 250 pessoas. Porém, a realidade do Pará passa longe desse ideal, pois com 7,5 milhões de habitantes – segundo o último Censo do IBGE (2010) -, o quantitat

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O levantamento feito pela Organização das Nações Unidas (ONU) revela que um policial deveria atender 250 pessoas. Porém, a realidade do Pará passa longe desse ideal, pois com 7,5 milhões de habitantes – segundo o último Censo do IBGE (2010) -, o quantitativo hoje de policiais militares nas ruas chega aproximadamente 11.500, de acordo com a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, um total quase três vezes menor que o necessário para combater e tentar diminuir o índice da violência no Estado.

No último concurso público da PM realizado em 2012, dois mil novos policiais se espalharam pelo território paraense, ainda assim, não são suficientes para atender a demanda. Para o presidente da Associação, cabo Francisco Xavier, seria necessário mais que um efetivo maior, um sistema adequado para a categoria deveria ser aplicado. “Falta política pública mais forte. É preciso rever o compromisso de quem cobra e também de quem faz para que a sociedade tenha mais confiança. Esse é o caminho para fazer acontecer”, afirma.

De acordo com Xavier, o aumento do efetivo apenas não seria a solução, existem vários outros fatores que contribuem para uma péssima segurança pública, como, por exemplo, a falta de qualidade do serviço dos policiais, condições dignas de moradia, baixa remuneração, ausência de educação e readaptação e, segurança.

Uma militar com 18 anos de corporação, também casada com outro policial, prefere não ser identificada, em conversa com o DIÁRIO, relata a situação em que vivem PMs e denuncia o descaso do governo com as principais reivindicações. “Infelizmente na nossa instituição o policial é visto apenas como peça de trabalho. Não tem seus direitos garantidos. O policial que trabalha na rua é sobressaltado. Às vezes é vizinho do bandido. Temos pai, mãe, filhos, e muitas vezes saímos de casa dando adeus sem saber se voltaremos. O medo está visível”, conta.

A cabo lembra que durante quase duas décadas não é oferecido à turma treinamento de reciclagem, “apenas de um treinamento específico de adaptação em 2009” devido ao Fórum Social Mundial que Belém sediou. Na óptica da policial, “as tropas táticas são mais bem preparadas diante das demais”, porém, soldados, cabos e sargentos, estão também diariamente combatendo a bandidagem.

Se por um lado a situação é incompatível, do outro a categoria denuncia que vive acuada com a violência dentro e fora da corporação. Em sete meses, a Associação contabilizou catorze policiais militares mortos e seis baleados, vítimas de ações criminosas em todo o Pará. Esse número pode ser considerado alarmante diante do total de 32 PMs vítimas da criminalidade no ano passado, uma vez que as cobranças feitas pela categoria pouco tem sido retribuídas pelo poder público em resposta aos clamores.

No dia 06 deste mês, três homens foram condenados a 66 anos por assassinarem o sargento Hélio Borges e a companheira Feliciana Motaem novembro do ano passado durante assalto no centro comercial de Belém. O casal era militante em prol de melhorias para a classe, onde a principal bandeira levantada diz respeito à segurança desses profissionais que dia a dia estão vulneráveis – assim como qualquer outro cidadão – das armadilhas e audácias daqueles que “não tem nada a perder”.

Outros relatos de militares vítimas da violência apontam para as residências sendo invadidas, famílias na mira de bandidos durante assaltos relâmpagos em plena luz do dia ou na calada da noite, além de latrocínios e assassinatos.

“Em maio deste ano, seis bandidos invadiram minha casa no final da tarde. Ficamos de mãos atadas para não acontecer uma desgraça. Graças a Deus em nenhum momento eles descobriram que éramos policiais”, lembra a policial, moradora de um bairro da periferia de Ananindeua, Região Metropolitana de Belém. Para ela, enquanto militar, a categoria faz parte dessa sociedade, mas que estão esquecidos pelo poder público estadual. “Precisa haver mudanças, por que é muito fácil essas ‘figuras’ apertarem o gatilho, e nada acontece com elas. Quando é o contrário, logo somos julgados e condenados na mesma hora. É lamentável. Nos sentimos desprotegidos”, opina.

Josefa da Silva Souza é esposa de cabo há 22 anos. Ela que trabalhou ao lado de Feliciana Mota viu a luta por condições melhores e vive com o medo, pois o marido, por pouco não foi assaltado em uma rodovia da capital, e, “enquanto ele não chega, o aperto no coração não passa”.

Ainda segundo o presidente, a Associação é a único porta – voz da classe que busca do cumprimentos de nada mais do que os próprios direitos extintos pela administração. “Vemos hoje as consequências negativas de tudo que cobramos há 15 anos. O casal queria e esse é o nosso desejo é segurança digna e de qualidade, mas o que estamos presenciando é o alto índice da criminalidade e ninguém é ouvido”, ressalta Xavier. “O policial não tem condições dignas, não são bem remunerados, não tem acompanhamento psicológico, dentre outras necessidades básicas. É preciso mudar o jeito de fazer polícia. A sociedade só tem a ganhar”, reforça.

EM NÚMEROS

Segundo a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros:

11.500 PMs ativos

11.500 PMs inativos

30.000 PMs seria o ideal – com base na ONU

32 PMs assassinados em 2013

14 PMs mortos e 6 baleados até julho de 2014

(Diário do Pará)

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