Quando a inoperância do Estado em relação a insegurança é evidente resta a população, principal refém da situação, buscar seus próprios meios de proteção. Os moradores do conjunto Pedro Teixeira, bairro Parque Verde, em Belém, fizeram isso e decidiram construir um muro para impedir a entrada de suspeitos responsáveis pelos constantes assaltos que acontecem no residencial.
De acordo com os moradores, cerca de cinco assaltos por dia acontecem dentro do conjunto Pedro Teixeira. Na última quinta (18), por exemplo, três assaltantes atacaram um restaurante que funciona dentro do residencial que resultou na morte de um dos suspeitos por um policial civil que estava no local, além do dono do estabelecimento atingido por dois disparos, mas que sobreviveu aos tiros. O caso foi divulgado pela reportagem do DIÁRIO.
A situação acendeu o alerta dos moradores do residencial à insegurança, situação que sempre aconteceu, mas por causa da ausência do poder público tem piorado cada vez mais. “Aqui sempre aconteceu assaltos, porém piora a cada ano. A polícia quase não faz ronda aqui e a que passa não é suficiente para combater essa situação”, disse Alice Muinos, presidente da associação dos moradores do conjunto Pedro Teixeira.
A insegurança pode ser visto nos comércios que funcionam dentro do conjunto. As grades e instalação de câmeras são formas de enfrentar essa situação. É o caso do comerciante Katsuhiko Migiyama, que teve o estabelecimento assaltado 32 vezes e baleado na barriga em uma dessas ocorrências.
“Levei um tiro e minha família foi feita refém amarrados dentro de casa. Outra vez os ladrões quiseram arrancar o dedo da minha esposa porque ela não queria entregar a aliança”, relembra.
Outra situação recorrente no conjunto Pedro Teixeira, o qual os moradores acreditam que contribui para a insegurança no residencial, é o tráfico de drogas. A praça do conjunto é onde o comércio de entorpecentes acontecem, além de ser usada pelos viciados, o que fez o logradouro ser conhecido como “praça do cinzeiro”. “A praça era o ponto de lazer da gente, principalmente das crianças. Agora, é ponto de venda e consumo de drogas. Já denunciamos ao 181, disque-denúncia da polícia, mas nada foi feito”, denuncia uma moradora que não quis se identificar.
Para os moradores, o livre acesso ao residencial facilita a entrada de pessoas suspeitas. Além disso, faz fronteira com bairros periféricos e por não possuir um muro de segurança o conjunto serve de rota de fuga de bandidos. Em função disso e da falta de efetivo policial para conter essa situação, um muro está sendo construído. “Os moradores, em unanimidade, decidiram construir. Acreditamos que isso vai amenizar mais o problema da insegurança aqui no Pedro Teixeira”, concluiu Alice Muinos.
E AS EXPLICAÇÕES?
A Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup) foi procurada pela reportagem para explicações sobre a situação, mas até o fechamento dessa edição, não obtivemos retorno.
(Diário do Pará)
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