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POLÍCIA

Apenas 10% dos crimes no Pará são esclarecidos

A impunidade tem uma dor própria”. Com a foto do irmão estampada na camisa, Eliane Cardoso aguarda pelas respostas que nunca chegam. Desde que o empresário Haroldo Cardoso de Souza foi arrancado do convívio da família, há dois anos, a indignação pela n

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A impunidade tem uma dor própria”. Com a foto do irmão estampada na camisa, Eliane Cardoso aguarda pelas respostas que nunca chegam. Desde que o empresário Haroldo Cardoso de Souza foi arrancado do convívio da família, há dois anos, a indignação pela não solução do caso soma-se à dor ainda muito viva pela morte repentina. Condição que está longe de ser restrita a uma família, já que a estimativa é de que apenas 10% dos crimes registrados no Pará sejam completamente esclarecidos.

Assassinado com onze tiros – ao todo 14 foram disparados - na saída de uma farmácia localizada no bairro do Jurunas e sem que pertences fossem roubados, o crime que ceifou a vida do empresário começou a ser investigado logo após a morte. Da apuração realizada sobre a vida da vítima, segundo a família, nenhum envolvimento com a criminalidade justifica o já constatado crime de execução.

Independente do que já foi apurado, até hoje o processo se arrasta sem indiciamento dos suspeitos. “Para o Estado nós somos mais um número, mas para a família que perdeu não é assim. Os nossos dias nunca mais foram os mesmos”, desabafa a servidora pública e irmã da vítima, Eliane Cardoso. “Tiram a vida de um cidadão, um homem de bem e o poder público não tem nada pra dizer pra gente? Nenhuma explicação pra dar pra família? A gente precisava de uma explicação. Quem matou? Não tem assalto com 14 tiros. Alguém mandou matar o meu irmão e essa pessoa precisa ser punida”.

Sempre acompanhado de perto pelos familiares, o processo teria ficado parado por vários meses ao longo dos dois anos. “A polícia fez uma série de investigações, fez escuta telefônica, mas nunca deu resultados. De janeiro de 2013 a agosto de 2014 o inquérito ficou parado, não foi movimentado de maneira alguma. O tempo todo ficamos rememorando essa situação”, indigna-se a enfermeira e também irmã da vítima, Neliane Platon. “A perda é duplicada: pela morte e pela impunidade. Foi arrancado um pedaço do coração da gente... Não existe justiça dos homens”.

Sem perspectiva de quando os culpados pagarão, enfim, pelo crime, à família resta apenas a certeza de que só a punição dos envolvidos é capaz de amenizar o sofrimento pela grande perda. “O Estado não está para amparar. Eles têm todos os subsídios para poder solucionar o caso. Se os culpados já tivessem sido punidos, pelo menos o coração estaria mais confortado”, acredita Eliane. “Mas eu ainda sonho com isso”.

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(Diário do Pará)

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