Uma semana depois da entrega do requerimento com o mínimo de assinaturas exigido para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue a possível existência de grupos de extermínio no Estado, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Márcio Miranda (DEM), finalmente oficiou ontem, durante sessão ordinária, os líderes de partido a nominarem em até cinco dias os membros participantes do grupo de trabalho.
A atuação pode ter sido motivada pela forte pressão do deputado Edmilson Rodrigues (PSOL), autor do requerimento, que subiu à tribuna para cobrar um posicionamento da mesa diretora do parlamento. Deverão indicar membros titulares os partidos com maior representação na AL, que são o PMDB, PT, PSDB e o PSD. Na condição de autor, o psolista tem vaga garantida como membro nato da CPI.
“Há quase um mês, os crimes da madrugada de 5 de novembro continuam sem solução, apesar de todo o aparato de Inteligência da Segurança Pública. Talvez falte vontade política”, provocou Edmilson. “As bancadas do PT e do PMDB rapidamente se prontificaram a assinar o requerimento e também a nomear os participantes da comissão, e eu espero pela mesma atitude das demais bancadas”, anunciou.
Edmilson leu trechos do processo que responde o prefeito afastado de Igarapé-Miri, Ailson Amaral, o “Pé de Boto”, que esteve preso, acusado de chefiar uma milícia que mandava matar, prender e torturar pessoas do município.
Trechos de gravações de grampos telefônicos realizados com ordem judicial, lidas pelo deputado em plenário, citam policiais militares envolvidos, inclusive da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam), e o uso de viaturas policiais na execução dos crimes determinados pelo prefeito.
“São muitas horas de gravação que confirmam a existência de milícia na Região Tocantina, daí a importância da CPI”, insistiu. “Qualquer atitude que destoe, postergue ou deturpe a adoção das medidas administrativas necessárias para a instalação será atentatório ao princípio da legalidade e da moralidade pública, ensejando medidas reativas não só por parte dos deputados signatários do requerimento de criação da CPI como também por parte de toda a sociedade paraense, vítima direta e imediata da atuação dos grupos que serão objetos da referida investigação”, diz um trecho do expediente formalizado por Edmilson ontem.
(Diário do Pará)
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