Compete à equipe do delegado Pedro Marinho de Sousa tentar identificar quem e por qual motivo matou o cabo da Polícia Militar Edilson Ribeiro, executado com seis tiros de pistola calibre 380, na tarde do último domingo (28), em Brejo Grande do Araguaia, no sudeste paraense.
Por enquanto a investigação engatinha ou está em fase preliminar, tendo em vista que o delegado levanta algumas informações que possam indicar um norte a seguir para tentar desvendar o caso que chocou a população daquele município e boa parte da corporação militar.
CASO EMBLEMÁTICO
O policial reconhece que este é um caso emblemático, tendo em vista que o cabo Edilson Ribeiro foi morto na rodovia Transamazônica, à altura do quilômetro 80, distante cerca de oito quilômetros da estrada que dá acesso ao município de Brejo Grande do Araguaia. Portanto, presumivelmente não há testemunha ocular.
As pessoas que devem ser ouvidas são aquelas que, direta ou indiretamente, tiveram contato com o cabo Edilson Ribeiro horas antes de ele retornar para a pista e seguir em direção a Marabá, onde estava lotado no Destacamento da Polícia Militar do bairro São Félix.
Entre estas pessoas estão algumas mulheres com as quais o militar estivera em Brejo Grande do Araguaia, bem como o dono de um bar, José de Ribamar, conhecido por “Ribinha”, além de um pecuarista, que disse ter ouvido os estampidos de tiros que ecoaram da pista, e até mesmo colegas de farda do militar.
A intenção, segundo o delegado Pedro de Sousa, é levantar o máximo de informações possível a respeito tanto da vida profissional quanto pessoal do cabo e, quem sabe com este arcabouço, traçar uma linha de investigação que indique tanto a motivação quanto a autoria de mais este crime, que em princípio desafia a polícia e coloca em xeque o sistema de segurança, afinal um ente do Estado foi atingido diretamente.
Uma coisa é certa: no que diz respeito à vida pessoal do militar, este respondia dois processos por estelionato, um em Marabá, onde ele estava lotado atualmente, e um em Imperatriz, onde morava. Contudo, o teor de tais processos não é de conhecimento público.
O CRIME
O cabo Edilson Ribeiro foi assassinado a tiros quando tinha acabado de descer do carro dele, um Fox branco, placa JVB-7589, Imperatriz-MA, e provavelmente pretendia fazer uma necessidade fisiológica.
Foi neste momento que o matador ou matadores efetuaram os vários tiros de pistola calibre 380. Pelo menos quatro cápsulas foram recolhidas pelo perito Guidoval Girard Pantoja no palco do crime. Pelo menos quatro projéteis atingiram a cabeça dele, outros dois no tórax, provavelmente dados quando o militar estava de costas e fazendo a necessidade básica e aparentemente não teve a menor chance de se defender.
ESPECIALISTA
Quem cometeu o crime tinha conhecimento de causa, uma vez que os tiros foram precisos no policial. O corpo dele ficou estendido na grama que margeia a pista e só foi localizado na manhã da última segunda-feira, pois o carro ficou parado próximo ao corpo, o que despertou a curiosidade do pecuarista que ouviu os estampidos na tarde anterior.
INVESTIGAÇÃO
Por sua vez, o delegado Pedro Marinho de Sousa, até o fim da manhã desta terça-feira, ouviu uma pessoa, mas deve ouvir outras cinco pessoas que de alguma forma mantiveram contato com o militar horas antes de ele ser assassinado.
Como o trabalho está em fase inicial, o policial economiza nas palavras, mas deixa claro que deve vasculhar por completo a vida do policial para identificar quem o matou e por qual motivo. Resta à polícia, agora, juntar as peças deste intrincado tabuleiro para desvendar o crime.
De sua parte, para um recém-formado policial militar, a morte do cabo soa como um acinte e um ‘tapa’ na face do Estado, uma vez que os matadores o executaram em plena luz do dia e numa rodovia bastante movimentada.
Em contato com a reportagem, este policial comentou que quando houve o assassinato do advogado George Antonio Machado, no dia 3 de abril deste ano em Marabá, foi feita uma mobilização e celeridade na investigação. Um dia após o crime, chegou a Marabá uma equipe do Núcleo de Inteligência da Polícia (NIP) e num curto intervalo de tempo identificaram e prenderam dois acusados: Wagner Vieira Matos, 24, e Rodrigo Carvalho da Silva, 21, em 8 e 9 de abril.
Para o policial, o caso deve ser investigado e a Polícia Civil dará uma pronta resposta tanto para a corporação quanto para a sociedade, para que desta forma a morte não fique impune. Este ano, no Pará, 21 militares foram assassinados em situações diversas. Boa parte dos crimes segue impune.
(Diário do Pará)
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