Dois meses se passaram em que 11 pessoas foram mortas nos bairros do Guamá, Jurunas, Terra Firme, Marco e Sideral. Os dias 4 e 5 de novembro de 2014 ficaram marcados no calendário dos paraenses por uma das chacinas mais cruéis, que houve em Belém. Tudo começou com o assassinato do Policial Militar, Cabo Pet, para o restante de a matança ser desencadeada. Até agora nenhuma das pessoas responsáveis pelos crimes foi presa. De acordo com a Polícia Civil, as investigações correm em segredo de justiça.
Familiares e amigos próximos às vítimas continuam em busca de respostas. Porém, até hoje, impera o silêncio por parte das autoridades. O irmão de uma das vítimas, que prefere não se identificar, fala que a família sente que o caso já foi esquecido. “Até agora não temos retorno de nada. Estão querendo abafar o caso. Até agora não prenderam ninguém e ninguém fala nada. Não encontram os culpados’’, diz o familiar.
Um dos amigos de Jefferson Cabral dos Reis, 29 anos, assassinado por volta das 23h, na Terra Firme, conta que espera que a justiça seja feita. “Eu creio que vão encontrar os culpados, que farão justiça. Mas está demorando para encontrarem’’, ressalta. Com medo de represálias, o amigo da vítima pediu para ter a identidade preservada.
Segundo a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Luana Tomaz, a última reunião entre a Comissão, delegados e Ministério Público ocorreu no início de dezembro. Até aquele momento, as investigações seguiam intensas. “Nós fazemos o monitoramento. Nós também temos dificuldade em saber como estão as investigações, por elas ocorrerem em segredo de justiça. A CPI das milícias está tentando obter informações. Agora no início do ano marcaremos outra reunião’’, afirma.
A presidente reconhece que as famílias esperam por respostas. Mas, por se tratar de um crime que vitimou muitas pessoas, a demora é justificável. ‘’Entendemos o anseio da família. Nós queremos que tudo se resolva logo. Envolve a morte de várias pessoas. É uma rede de extermínio e facções criminosas. Talvez ai seja a justificativa para a demora’’, diz.
De acordo com a polícia, todos os crimes tiveram características de execução. A PC informou que as investigações estão avançadas, mas nada ainda pode ser divulgado. A morte do cabo Pet também está no inquérito de investigações da chacina.
A MATANÇA
1 – Às 19h30, o cabo Pet foi assassinado no Guamá.
2 – Às 22h, Eduardo Felipe Chaves de 26 anos, foi baleado e morto na Terra Firme.
3 – Às 22h, Bruno Gemaque, de 20 anos, também foi baleado e morto na Terra Firme.
4 – Às 22h, Cezar Augusto da Silva, de 25 anos, foi outro assassinado a tiros na Terra Firme.
5 – Às 22h30, Marcos Murilo Ferreira, de 20 anos, foi baleado e morto no bairro do Marco.
6 – Às 23h, Jefferson Cabral dos Reis, 29 anos, foi baleado e assassinado na Terra Firme.
7 – 0h30 de 5 de novembro, Nadson Roberto, de 28 anos, foi baleado no Jurunas. Morreu na hora.
8 – Jean Oscar dos Santos, de 33 anos, foi assassinado no Jurunas à 1h30.
9 – Alex dos Santos Viana, 20 anos, foi assassinado no Sideral às 2h.
10 – Ainda às 2h, Márcio Rodrigues dos Santos, foi assassinado no Tapanã. Tinha 22 anos.
11 - Baleado no dia 4, Arlesonvaldo Carvalho Mendes morreu no Metropolitano no dia 6. Ele foi baleado no bairro da Terra Firme.
(Diário do Pará)
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