A morte do cabo Martinho Maciel de Souza Costa, 40, do Corpo de Bombeiros, abalou toda a família e deixou a corporação inconformada, pois o afogamento do bombeiro experiente poderia ter sido evitado, é o que afirma a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar. Ontem no velório do militar que aconteceu em uma capela na avenida 3 corações, bairro da Cidade Nova, em Ananindeua, colegas de farda, amigos e ex-alunos do militar prestaram as últimas homenagens ao cabo que morreu na tarde do último domingo (11) na praia do Paraíso, Ilha de Mosqueiro, após salvar um banhista. O enterro será hoje, a partir das 9h em um cemitério particular em Marituba.
Martinho, como era mais conhecido, teve uma morte súbita, e após perícia no Instituto Médico Legal (IML), foi constatado que ele morreu afogado. O cabo estava há 21 anos na corporação, e pouco mais de um ano lotado no quartel da Ilha. Ele morava no bairro do Icuí, região metropolitana de Belém, ainda fazia parte do grupo de Salva – Vida do Clube da Associação, e foi instrutor do Projeto Escola da Vida (PEV), no mesmo bairro. Martinho deixou ainda esposa e dois filhos. Familiares estavam inconformados. A esposa não desgrudava do caixão e os pais estavam inconsoláveis.
“A maré estava muito braba, puxando muito. Ele era experiente e a gente não sabe o que aconteceu. Deve ter sido muito esforço físico e ele tenha desmaiado. Ficamos sabendo que o banhista que ele foi salvar era pesado. Como ele estava sozinho, ficou difícil, infelizmente”, comentou o soldado Ramos. Segundo ele, o fato do colega de farda estar sozinho naquela operação, o prejudicou. “O certo é no mínimo duas pessoas”, afirma.
Outro bombeiro também reclamou da falta de ajuda capacitada no resgate. Para Wilson, formado na última turma, “o efetivo é pequeno e não atende a demanda. Em Paragominas, por exemplo, são 55 homens para as quatro cidades próximas. Na última turma entraram 400, 100 já saíram. Quanto à questão do efetivo, a escala fica sobrecarregada e infelizmente aconteceu isso”, denuncia.
O presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar, cabo Francisco Xavier, confirmou que o número de bombeiros em todo o Estado não passa de três mil, um quantitativo inferior diante da realidade que não está suprindo a demanda, principalmente nas operações em mares e rios. De acordo com ele, o déficit também atinge ainda a logística, como alimentação, estadia e equipamento e, remuneração digna.
“O quadro hoje é reduzido e envelhecido. Há mais de seis anos não há concurso, não tem equipamento adequado para salvamento, como jet-ski, lancha...
Os resgates estão sucateados. Com certeza se tivesse quantidade apropriada, o colega Martinho não estava sozinho. Todo bombeiro e policial militar precisa trabalhar, no mínimo, em dupla. Isso poderia ter sido evitado”, aposta.
Além disso, o fato da insuficiência de efetivo acaba refletindo no dia a dia daqueles que estão na corporação. “As vezes a gente chega de manhã da escala e a tarde tem o extra. Isso acontece muito por que não tem que repor. E desgasta bastante. Não somos valorizados e fazemos porque gostamos”, destaca Ramos. “Este ano está previsto 250 militares entrarem para reserva”, diz soldado Ramos.
“Sempre estamos cobrando do Estado que há policial morrendo baleado, bombeiro afogado, situações que colocam os militares em risco por falta de estrutura do Governo. O cabo Martinho era um amigo nosso, conhecido e experiente. Morreu fazendo o que gostava. Pra gente ele é um exemplo que vai fazer falta”, diz Xavier. O representante das Associação disse que este ano, outro militar morreu afogado, ele estaria de folga. O comando Geral do Corpo de Bombeiro também deverá investigar o caso.
(Diário do Pará)
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