Abriga entre gangues rivais tem tirado a paz e a tranquilidade de moradores e comerciantes do entorno da Praça Eduardo Angelim, localizada na rua Alferes Costa, bairro da Pedreira, em Belém. Revoltados com a falta de segurança pública, eles se reuniram com o vereador e professor Luiz Pereira para dialogar sobre propostas em uma tentativa de buscar soluções para o problema.
Segundo os comerciantes, os jovens se articulam pelas redes sociais e se reúnem desde as 19h naquela praça à espera de outros jovens de gangues rivais. Na última sexta-feira, a situação que já se repete há alguns meses, segundo os próprios denunciantes, chegou a seu extremo, quando centenas de pessoas que estavam no local foram atingidas pelas pedras jogadas entre as gangues ou sofreram de alguma forma com o terrorismo provocado pela situação.
O comerciante Orlando Portela, 57, descreveu os momentos de terror vividos na última semana. “Havia crianças e idosos na praça, como em todos os dias. Só que eles não se limitaram a agredir apenas aqueles que estavam em grupos, e sim a todos. Eles tinham pedras e eram muitos até em posse de arma de fogo. Saíram fazendo arruaça, sem se importar se iam machucar alguém”, descreveu.
“A nossa comunidade é de crianças de meses até adultos e idosos que nasceram e cresceram com o costume de ter a praça como uma opção de lazer. É uma praça familiar, por isso ela é movimentada até altas horas da noite. No entorno, há muitos traficantes e bandidos. O Estado, por sua vez, não cumpre com o seu dever em oferecer segurança pública. Essa história da invasão de gangues não é nova, só que chegamos ao ápice. O problema já está latente. E o governador precisa sair de seu gabinete para fazer alguma coisa. É o que a sociedade está exigindo, porque planejar e projetar eram funções dele, mas não fez”, explicou uma moradora que não quis se identificar.
RESPOSTAS
“E estamos exigindo respostas do poder público, porque a principal prejudicada é a cidade como um todo, mas os atingidos aqui, em maioria, são empreendedores. É uma região que está tomando uma repercussão imobiliária diferenciada. É área de expansão da cidade, área intermediária entre o centro e a nova Belém. Mas nós estamos desassistidos 100%. Vêm aqui e fazem um trabalho paliativo porque a gente tem que acionar o serviço 190. Só que para o que está acontecendo é preciso um serviço que demanda tempo e inteligência da segurança pública, um patrulhamento diário e até uma operação repressiva, porque, se for necessário nós irmos às ruas, nós vamos”, acrescentou a moradora.
“É como diz na marchinha de carnaval: ‘Este ano não vai ser como aquele que passou’. Porque, se na próxima sexta-feira a polícia não estiver aqui, nós vamos fechar rua, tocar fogo em pneu. Nós vamos partir para cima. E estamos preparados para o que der e vier. Mas vamos defender nossa comunidade. Aqui está parte da população revoltada. Se o governador não toma jeito, nós vamos dar um jeito. Nós estamos cansados de ser reféns da bandidagem e, se acontecer de novo nessa sexta, no primeiro barulho que houver, a gente vai fechar a avenida. Nós não vamos deixar ninguém quebrar o carro de ninguém nem equipamento de trabalhador que sua a camisa para conseguir o que tem. Agora não vamos mais permitir isso aqui na comunidade”, alertou Marcos Vinícius, presidente da Associação dos Trabalhadores no Mercado Informal da Pedreira (Astemipe).
(Diário do Pará)
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