Somente nos primeiros 20 dias de 2015, mais de 30 pessoas ficaram sob mira de armas de fogo por delinquentes no Pará, no conhecido e banal “assalto com reféns”, que por aqui virou moda, devido à facilidade que a bandidagem tem em proporcionar um espetáculo circense na mídia.
Há algum tempo, exite a necessidade de se dar uma resposta à altura no Pará a exemplo do que fizeram os Estados de Pernambuco e Rio de Janeiro, com uma tomada de reféns e a utilização dos atiradores de elite como uma forma pedagógica de se evitar que mais vítimas tenham que passar pelo drama de ser refém.
Em 2013, durante um assalto no bairro da Tijuca, no Estado do Rio de Janeiro, um marginal mantinha uma mulher sob a mira de uma granada e, 40 minutos depois de se esgotar todos os caminhos na negociação e com o bandido retirando o pino da granada, que poderia mandar pelos ares todo o quarteirão, o gerenciador da crise autorizou a ação do “sniper”, que, posicionado a cem metros, disparou um certeiro tiro, acabando com a crise.
No ano passado, no agreste pernambucano, na cidade de Garanhuns, um homem, ao ser perseguido por uma guarnição policial, fez uma mulher na frente de uma farmácia refém. Duas horas de negociação, esgotadas todas as tentativas de rendição, o bandido já com a refém de joelhos e com ameaça de cortar-lhe o pescoço com um facão, o negociador toma uma decisão sensata e autoriza o atirador de elite a entrar em ação.
Estas duas ações em Estados diferentes reduziram a zero as ocorrências com tomadas de reféns, restabelecendo a ordem e a certeza de que o marginal que tentar fazer o mesmo poderá ter o mesmo destino que tiveram os assaltantes em Garanhuns e Tijuca.
No Pará, as estatísticas mostram um número alarmante de “assaltos com reféns” que mobiliza sempre um grande contingente policial, a imprensa e centenas de curiosos, que em toda ação pedem a participação efetiva dos atiradores de elite.
É bom lembrar que as primeiras medidas a serem adotadas por qualquer autoridade policial, ao tomar conhecimento de uma crise com tomada de reféns, são resumidas nos verbos conter, isolar e negociar até o momento em que se percebe que a vida do refém está por um fio.
Na medida em que a ameaça é contida e é feito o isolamento do ponto crítico com o tomador de refém, a autoridade policial chamada de “negociador” já procura estabelecer os primeiros contatos com os elementos causadores da crise, objetivando o início da negociação.
Por trás desse “negociador” está sempre a figura de um oficial que é conhecido como o “gerenciador da crise”, que deve ter o discernimento e avaliação de todo o entorno da crise e, segundo o regulamento, mesmo depois de se esgotarem todas as chances de negociações, deve-se ainda tentar um “último cartucho” até a utilização do neutralizador da situação que é o “atirador de elite”.
Neste mês, até agora foram 35 vítimas sob a mira de armas
O mês de janeiro começa como terminou dezembro. Fazendo um balanço nestes 23 dias do mês, contabilizamos dez tomadas de reféns no Estado, o que dá em média um assalto com reféns a cada dois dias. Eis a cronologia deste tipo de crime que deixa nas vítimas marcas para nunca serem esquecidas e uma sensação de impotência do Estado.
Dia 02 de janeiro, 4ª rua do distrito de Icoaraci. Sérgio Cunha Dantas, de 24 anos, e um adolescente fazem reféns em uma farmácia, deixando em pânico meia dúzia de funcionários.
Dia 03 de janeiro, residencial Olympus, na rua Municipalidade, no Reduto, após atirar no empresário Cleiton Miura, Edivaldo Ramos Rabelo fez cinco pessoas reféns e depois se entregou.
Dia 05 de janeiro, avenida Floriano Peixoto, em Bragança, dois assaltantes fizeram uma família de quatro pessoas reféns e, na tentativa de fuga, trocaram tiros com a PM e acabaram mortos.
Dia 10 de janeiro, avenida José Malcher com Alcindo Cacela, em Nazaré, fregueses de um salão de beleza ficaram sob a mira de armas empunhadas por Edvaldo Ramos e Wellington Aciole.
Dia 10 de janeiro, simultaneamente, fregueses e funcionários de um consultório dental foram as vítimas do assalto com reféns perpetrado por Atyla de Sousa e André Felipe Costa, que foram presos.
Dia 19 de janeiro, travessa Humaitá com Almirante Barroso, Diego de Sousa Dias e Reginaldo de Sousa Gomes aterrorizaram funcionários de uma farmácia e uma hora depois se renderam.
Dia 21 de janeiro, avenida Julio Cesar com a rua Cumbica, no bairro do Marex, Rômulo André Santos e Sidney Conceição fizeram um funcionário de uma pizzaria refém e duas horas depois se entregaram.
Dia 23 de janeiro, Cidade Nova VI, em uma livraria, após uma perseguição policial, um assaltante com uma arma de fogo fez reféns funcionários e clientes e, após negociação, foi preso.
O sentimento de quem ficou com a vida por um triz é o grande questionamento que se faz nos dias atuais. “Eu nunca vou esquecer esse dia. É para comemorar um novo nascimento, vi a morte de perto, pensei na minha família, porque eles [assaltantes] não têm nada a perder”, disse uma das reféns com quem o DIÁRIO fez contato.
(Diário do Pará)
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