No lugar do caderno e caneta, uma arma. Em vez do convívio familiar, amizades com desvio de conduta. A vibração com a subtração de pertences de vítimas em assaltos e até homicídio em substituição a comemoração de gols em uma brincadeira de futebol ou em outra atividade saudável entre amigos. É na contramão desses direitos estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que muitos jovens se encontram. A inocência da vida tirada pela situação que os colocam em conflito com a lei que, quase sempre, abreviam suas vidas com a morte.
A inserção de adolescentes em conflito com a lei tem se tornado cada vez mais comum. Não tivemos acesso aos dados estatísticos oficiais sobre essa situação no Pará, já que solicitamos nota à Secretaria de Segurança do Estado (Segup), mas não obtivemos resposta, mas casos de adolescentes envolvidos com ilícitos, que vão de furtos, tráfico e até homicídios, estampam as páginas dos cadernos policiais.
Ao mesmo tempo, notícias de adolescentes mortos em consequência disso também têm sido frequentes nos jornais e o Pará foi destacado em pesquisa recente feita pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Laboratório de Favelas e o Laboratório de Análises de Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. O estado é o 8º do país em situações de adolescentes assassinados. Já Belém figura como a 5ª capital mais propensa a encerrar tão cedo a vida destes jovens. Os dados são de 2012, mas refletem a realidade atual.
Por exemplo, no último dia 13 de janeiro, um adolescente de apenas 13 anos foi executado com quatro tiros, no bairro da Marambaia, em Belém, onde familiares da vítima afirmaram o envolvimento dele no tráfico. Em outra situação, uma adolescente de 17 anos, mesmo grávida de cinco meses, teve a vida tirada por dois homens que desferiram contra ela cerca de 20 facadas, no dia 5 de janeiro, no Aurá, em Ananindeua, também por envolvimento com o crime. Os casos citados, foram divulgados pelo DIÁRIO, são apenas dois exemplos que envolvem adolescentes em conflito com a lei e que resultaram em morte prematura.
“Essa situação não é algo novo. O grande problema, no contexto atual, é que os adolescentes têm cometido ou participado em crimes mais graves, como assaltos, homicídios e, principalmente, o tráfico de drogas que é o grande responsável pela entrada de adolescentes no crime”, disse o delegado Fabiano Amazonas, diretor da Delegacia de Atendimento ao Adolescente (Data) .
CHEFES DE QUADRILHAS
Esse “progresso” adolescente em práticas delituosas é confirmado pelo tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Edson Lamego, comandante do 24º Batalhão, que atende os bairros do Bengui, Tapanã e Cabanagem. De acordo com ele, os adolescentes estão cada vez mais envolvidos no crime, sobretudo no tráfico de drogas, não apenas como meros participantes, mas também como protagonistas em algumas situações.
“Nas áreas em que o batalhão presta o serviço de segurança à comunidade, já virou comum a presença de adolescentes. Apesar de novos, já possuem um extenso currículo nessa vida que os tornam criminosos em potencial em sua maioria, com alguns até liderando um bando”, admitiu Edson Lamego.
Em relação a isso, a grande questão a ser analisada é sobre quais os motivos para a entrada de adolescentes no mundo do crime. Ainda de acordo com o delegado do Data, Fabiano Amazonas, muito se deve ao contexto social o qual eles estão inseridos que vai da desestrutura familiar ao ambiente em que moram, que são marcados por exemplos de pessoas envolvidas em criminalidade.
“Às vezes alguns membros da família desses adolescentes são criminosos, e isso pode influenciar em ele seguir esse mesmo caminho. O que também acontece é o fato do adolescente residir em locais onde o crime é corriqueiro e que os envolvidos tirem vantagem disso, mesmo que aparentemente, e serve de estímulo para entrar nessa vida”, analisou Fabiano Amazonas.
CONFLITO
Para Fabiano Amazonas, diretor da Delegacia de Atendimento ao Adolescente (Data), a presença de adolescente em conflito com a lei é considerado um fenômeno social, mas não é um evento recente. Para ele, na atualidade o que tem acontecido é a participação destes personagens em situações mais graves, como se fosse um “progresso” em práticas delituosas.
(Diário do Pará)
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