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POLÍCIA

Dinheiro fácil acaba seduzindo menores infratores

Em concordância com a análise do tenente-coronel da PM, o doutor em Geografia Humana e especialista em segurança pública, em sua pesquisa realizada entre os anos de 2008 a 2013, intitulada, “A geografia do crime na metrópole – das redes ilegais à territor

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Em concordância com a análise do tenente-coronel da PM, o doutor em Geografia Humana e especialista em segurança pública, em sua pesquisa realizada entre os anos de 2008 a 2013, intitulada, “A geografia do crime na metrópole – das redes ilegais à territorialização perversa na periferia de Belém”, traçou o perfil desses adolescentes. A maioria deles é de bairros periféricos, onde habitam em ambientes marcados por desestrutura familiar, além da ociosidade que se constituem em fatores que contribuem para o ingresso deles no mundo do crime. Ainda de acordo com Aiala Colares, outra motivação para o ingresso de adolescentes com a criminalidade é a busca pelo consumo, como adquirir roupas e sapatos de marcas, o que seria a ‘vantagem aparente’ entre os que estão inseridos nesse contexto, citado pelo delegado Fabiano Amazonas.

“É a busca pelo dinheiro fácil estimulada pela mídia para o consumo de massas onde esses jovens passam a ter desejo ou anseio pela aquisição de determinados bens, sendo assim, torna-se mais fácil cooptá-los para que eles façam parte de uma rede social do crime com códigos, linguagens e símbolos reconhecidos por eles”, completou Aiala Colares.

A flexibilidade das leis também contribui para que o adolescente entre em conflito com a lei, no sentido de saber da impunidade em relação ao cometimento de crimes. “Os adolescentes sabem que as leis são menos duras para eles, e de certa forma acaba também por contribuir para que cada vez mais eles tenham a responsabilidade em assumir sozinhos determinados atos, algumas vezes para proteger outros criminosos que estão no esquema e que são maiores de idade, ou mesmo para liderar quadrilhas. Assim, eles ganham prestigio e respeito perante os outros”, ponderou Aiala Colares. “As unidades de atendimento são falhas e se transformam ao adolescente uma espécie de ‘universidade do crime’”.

É necessária a integração entre Estado, comunidade, escola e família com projetos integrados e de acordo com a realidade dos bairros para estimular a cidadania aos jovens. Projetos culturais, a arte, a dança, a música e o esporte são elementos importantes para se pensar o potencial de um jovem na periferia, como se fossem instrumentos de transformação. Esse olhar de dentro da realidade pode ajudar a resolver esse problema”, concluiu Aiala Colares.

“Teve uma vez que tinha acabado de meter o bicho (assaltar) um casal e na hora passou ‘os cana’ (polícia) na viatura. Eles perseguiam e atiravam em mim. Só escapei porque entrei nuns becos que não dava pra entrar carro. Mas, a pior coisa foi quando fui interno em Benevides. A gente ficava solto por lá sem fazer nada e só pensava em coisa ruim, mas às vezes me passava um filme na cabeça de não querer mais aquela vida”, conta o jovem.

(Diário do Pará)

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