"Nossas condições de trabalho estão insustentáveis, os comandantes das unidades ordenaram que fizéssemos 12 boletins de atendimento policial por dia, independente do dia e das ocorrências. Há dias que há mais corpos no chão que viaturas para acompanhar e ficamos muitas vezes sem qualquer policiamento nas ruas”. O desabafo é de um policial militar do 24º batalhão da PM, que tem a missão de cobrir alguns bairros da considerada “área vermelha” de Belém: Bengui, Park Verde, Transcoqueiro, Sideral, Pantanal e Cabanagem. O militar, que aceitou falar com o DIÁRIO via wathsapp (91-984077070) pedindo anonimato temendo represálias, e declarou que diante de tanta adversidade, fica quase impossível conter o avanço da criminalidade na Grande Belém, e saiu em defesa dos colegas de farda, num momento em que a sociedade cobra uma atitude mais enérgica para controlar a insegurança que hoje amedronta a população.
O número de homicídios e assaltos com reféns neste começo de ano é assustador e tem deixado quase todos os cidadãos sobressaltados. A qualquer hora do dia, independente do local, qualquer pessoa de bem pode engrossar as estatísticas dessa escalada galopante da violência. O PM cita que quem vai para a rua hoje combater a criminalidade vai praticamente na cara e na coragem. Ele citou que, para dar conta da integridade física da população nos bairros que abrangem sua zona de atuação, há poucas viaturas disponíveis. Ele cita que há pelo menos 3 em péssimas condições de uso, e somente duas ficam rodando enquanto a outra fica obrigatoriamente parada. Sem falar que, segundo ele, são reservadas duas viaturas aos comandantes da unidade, mas que seriam exclusivas deles.
O denunciante reforça que as condições dadas aos PMs são as piores possíveis diante de tanta demanda. “São 24 litros por viatura para rodar 24 horas, sendo que cobrimos uma área que vai da entrada do Una (próximo ao Vale da Benção) até o Conjunto Maguari. A Mário Covas e a Augusto Montenegro são as referências de limite do lado direito, e do lado esquerdo temos do Mangueirão ate a estrada do Tapanã, que abrange Bengui e Parque Verde e Mangueirão”, disse, acrescentando que são orientados a irem para as ruas na fé e na coragem.
“Cobram resultado dos praças sem dar qualquer condição humanas para trabalhar. Há até base móvel com para-brisas estilhaçado, o que torna a visibilidade do motorista quase zero e caso nos neguemos a trabalhar assim seremos castigados através de escalas ainda piores que é a do policiamento a pé, o famigerado PO, hoje usado para castigar aqueles que desobedecem as ordens arbitrarias dos comandantes de unidades. Entre outras irregularidades que estão sendo exercitadas de forma escandalosa e o Ministério Publico Militar do Estado não dá a mínima”, critica.
LOTERIA
O PM relatou que o atendimento às ocorrências se baseia numa quase loteria. “Criaram uma polícia militar de estatísticas fantasiosas, onde a sociedade está sendo desprezada. Nos finais de semana temos que escolher em que ocorrência ir, pois a necessidade da sociedade é infinitamente superior ao policiamento ofertado. Não há ânimo para trabalhar, não há viaturas, não há rádio comunicador, não ha informação estatística oferecida à tropa, tudo que sabemos das ruas é com base na nossa experiência de rua. Nada é compartilhado conosco. A ordem e ir pra rua e te vira.”
Por fim, ele fez uma revelação curiosa, contando uma suposta maquiagem obrigatória a que são submetidos para passar a impressão de que alguma coisa está sendo feita para combater a criminalidade, em que pese as condições de trabalho dadas aos policiais.
“Temos ordens de fazer barreiras policiais “capa” só para tirar fotos e mandar para o comandante. Somos instruídos a enganar a sociedade. Há barreiras com apenas 1 viatura só para tirar foto e montar o circo”.
(Diário do Pará)
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