A sequência de assassinatos ocorreu no dia 4 de novembro de 2014, nos bairros da Terra Firme, Marco, Guamá e Jurunas. A série de execuções aconteceu após a morte do cabo Antônio Figueiredo, conhecido como “Pet”, que morreu a tiros no Guamá. No total, dez pessoas foram mortas entre os dias 4 e 5. As mortes tinham características de execução. O caso ganhou repercussão e entidades como a Anistia Internacional cobraram a apuração imediata dos crimes ocorridos na capital paraense. O episódio foi levado ao conhecimento da Organização das Nações Unidas na última terça-feira, quando completou três meses do ocorrido. A sensação de impunidade domina o sentimento dos familiares e amigos, afinal ninguém foi preso e a polícia não dá indícios de que o caso esteja prestes a ser desvendado.
Para apresentar a voz dos jovens brasileiros, grupos levaram até Genebra Douglas dos Santos, morador da Terra Firme, bairro de Belém. Uma coalizão de ONGs internacionais e brasileiras denunciou, na Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, o aumento do número de chacinas envolvendo crianças. A reunião entre os peritos e os ativistas foi realizada em total sigilo, sem a presença da imprensa ou do governo.
A última vez que a ONU examinou a condição da infância no Brasil foi em 2003. Naquele momento, o governo estava atrasado na entrega de seu informe e prometeu que cinco anos depois apresentaria sua versão. Quase nada aconteceu depois disso, e a entidade chegou a ameaçar examinar o Brasil mesmo sem um informe apresentado pelo governo. Diante da pressão, o país apresentou sua posição e um exame vai ocorrer em setembro, mais de sete anos depois do previsto.
INFORMAÇÕES
Os peritos da ONU, porém, convocaram representantes da sociedade civil para prestar informações da situação no Brasil. Nesta terça, o que ouviram foi um relato de uma profunda crise, em um informe elaborado por entidades como a Save the Children, Fundação Abrinq, Action Aid e Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente. A constatação é de que, na última década, a situação se deteriorou de forma profunda no que se refere à segurança juvenil.
NÚMEROS
Segundo dados passados às Nações Unidas, entre 1997 e 2011, o número de homicídios passou de 6,6 mil para 8,8 mil, um aumento de 33%. A taxa de mortes para cada 100 mil jovens passou de 19,6, em 1980, para 57,6 em 2012 (194%). Para apresentar a voz dos jovens brasileiros, as ONGs levaram até Genebra Douglas dos Santos, de 17 anos, de Terra Firme, um dos bairros atingidos pelos ataques em Belém.
“Venho de um bairro que enfrenta discriminações e sei como a juventude é reprimida.” Segundo a denúncia das ONGs, o homicídio “tem cor” no Brasil. Houve, entre 2002 e 2012, uma redução nos assassinatos de jovens brancos, com queda de 32%. No caso dos negros, a tendência é inversa, com alta de 32%. Morreram proporcionalmente 168% mais de negros do que brancos em 2012.
(Diário do Pará)
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