Para cobrar mais rapidez nas investigações, os familiares e amigos das vítimas da chacina, ocorrida em quatro bairros de Belém, em novembro do ano passado, fizeram na manhã de ontem caminhada em direção à sede do Ministério Público do Estado. O ato também serviu para lembrar os três meses em que o episódio ocorreu. A concentração foi na frente da Assembleia Legislativa do Pará, e seguiu cortejo até o MP, onde os manifestantes entregaram uma carta pedindo apoio do órgão no caso. O MP recebeu na última sexta-feira farta documentação sobre tudo que foi apurado na CPI do Extermínio, que confirmou a existência de milícias atuando no Pará, especialmente nos bairros em que ocorreu o “massacre de novembro”.
O ato se iniciou com palavras de ordem e cobranças aos parlamentares pela elucidação dos casos. Cada uma das 10 vítimas foi lembrada por uma chamada, respondidas pelos seus familiares, que levaram faixas com pedido de justiça. Durante o cortejo os manifestantes, com rosas brancas nas mãos, fizeram um ato silencioso, respeitando o luto e a memória de cada um. Onde passavam, ganhavam apoio.
Representantes da Sociedade Paraense de Defesa de Direitos Humanos, a Ouvidoria do Secretaria de Segurança Pública e a Comissão de Justiça e Paz da
Terra-Firme, estiveram no local dando apoio às famílias. “Nós reunimos cerca de 50 pessoas para cobrar que os casos sejam esclarecidos e os assassinos sejam presos. Fizemos uma referência às vítimas e citamos partes do relatório da CPI do Extermínio, para fortalecer essa luta. Depois seguimos calados até o Ministério Público, e voltamos a fazer barulho, pois lá foi entregue um documento com uma pauta de reinvindicação, a qual pedimos para saber quem é o promotor do caso, e também solicitar que a família acompanhe, pois não temos uma resposta, e ninguém sabe como estão as investigações”, desaba Francisco Batista, membro da Comissão de Paz.
A dona-de-casa Meire Gemaque, de 36 anos, é tia do ex-cobrador de transporte alternativo Bruno Gemaque, de 20, anos que foi executado no bairro da Terra-Firme. Ela lamenta a falta que a vítima faz em casa e pede por justiça.
“Bruno era um rapaz bom, um menino trabalhador. Não tinha problemas com ninguém e não era para ter morrido assim. Agora pedimos justiça. Sabemos que não vai resolver e que ele não vai voltar, mas não vamos ficar com a sensação de impunidade, sabendo que os reesposáveis estão presos”, explica.
Meire se lembra da noite em que foi morto, na esquina da rua São Domingos com a Trindade. “Ele estava voltando com a namorada de bicicleta. Foi buscá-la na escola, quando tiraram a sua vida na frente dela. Esses meses não estão sendo fácies. Os pais dele não tem força para luta, eu que estou na frente, pedindo por agilidade na justiça. O Bruno ajudava em casa, era alegre e brincava com os pais quando estavam tristes. Ele não merecia isso e cobramos da justiça”, ressaltou.
Matança em quatro bairros foi denunciada na ONU.
(Diário do Pará)
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