Foi apresentado na manhã de ontem, na Corregedoria Geral da Polícia Civil, o ex-policial militar Otacílio José Queiroz Gonçalves, apelidado de “Cilinho”. O ex-militar foi detido por volta das 2h quando estava em uma festa na Passagem Rui Barbosa, no bairro do Guamá. Após uma operação realizada pelas corregedorias da Polícia Civil e Polícia Militar, foi cumprido na madrugada de ontem o mandado de prisão contra “Cilinho” que responderá por homicídio. Segundo informações do diretor do Decrif (Delegacia de Crimes Funcionais), delegado Eloi Fernandes , no inquérito não consta quando, onde e como o Ex-PM teria cometido esse homicídio.
Além do crime, “Cilinho” que foi preso em flagrante portava uma pistola Ponto 40 sem registro e também foi indiciado por porte ilegal de armas. O acusado, que é policial reformado há 10 anos, tem um histórico bastante conturbado. Ele foi afastado da PM por ter problemas mentais e esquizofrenia, mas recentemente teve seu nome ligado ao cabo da Rotam Antônio Marcos da Silva Figueiredo, o Pet, assassinado no dia 4 de novembro de 2014 no Guamá. A morte do PM desencadeou outros 10 assassinatos em alguns bairros de Belém, numa eventual vingança praticada supostamente por milicianos. Cilinho seria parceiro de Pet numa milícia que atuava ou atuaria no Guamá, segundo concluiu a Comissão Parlamentar de Inquérito instalada para apurar o episódio que ficou marcado como a “matança de novembro”.
Confira a reportagem da RBATV sobre o caso:
O relatório, divulgado no dia 4 de fevereiro, informa que o chamado “Núcleo da Milícia” comandada por Pet era formado por ele e mais três pessoas, entre elas José Otacílio Queiroz Gonçalves, o “Cilinho”. Segundo depoimento prestado por um membro do Ministério Público, “Pet” explorava um serviço de vigilância eletrônica, com várias câmeras nos bairros do Guamá e Terra Firme, em estabelecimentos comerciais com placas “protegidos pelo Pet”. O militar controlaria os referidos pontos de vigilância eletrônica por meio de um monitor posicionado na varanda de sua casa, bem como também por um tablet que levava consigo no carro.
Uma testemunha contou aos deputados que Pet teria acumulado rusgas com a sua própria milícia, inclusive acumulando dinheiro, segundo o código interno dos milicianos, indevidamente. Já uma autoridade policial ouvida pela CPI revelou que o PM e “Cilinho” teriam pretensões eleitorais, pois gozavam de amplo prestígio na comunidade onde atuavam, além de um suposto acentuado poder de intimidação e terror que conseguiram impor, angariando assim apoios e recurso e que tais pretensões acabaram se chocando, ocasionado um ‘racha’ no grupo.
O Promotor do Ministério Público Militar, Armando Brasil, disse que um segundo inquérito será aberto contra “Cilinho” justamente por essa suposta participação em grupos de extermínio. O acusado que teve a prisão temporária decretada por 30 dias seguirá para o Sistema Penal. Não foi confirmado se o homicídio no qual o “Cilinho” é acusado tem a ver com as mortes que aconteceram em Novembro quando 9 pessoas foram mortas simultaneamente nos bairros da Terra Firme e Guamá.
(Diário do Pará)
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