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POLÍCIA

Delegacias do interior do Pará estão sucateadas

O Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sindpol) denunciou o total abandono de várias delegacias do interior do Pará. Sem as mínimas condições de trabalho, algumas cidades seguem apenas com um policial civil, já em outras, a realidade fica pior: não te

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O Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sindpol) denunciou o total abandono de várias delegacias do interior do Pará. Sem as mínimas condições de trabalho, algumas cidades seguem apenas com um policial civil, já em outras, a realidade fica pior: não tem delegacia. As denúncias vão além, pois existe déficit de profissionais, falta de pagamentos de benefícios garantidos por Lei, até perseguição dentro da própria instituição.

Sem água potável, sem lugar adequado para dormir, sem segurança, assim os policiais civis trabalham, correndo alto risco de vida para atender a dignidade da população no interior do Pará.“Não temos nenhuma estrutura física para trabalhar em muitas cidades aqui no Estado. Não há alojamentos e falta água para beber. Aqui, tem faltado tudo, até material de expediente. Os policiais dormem em locais insalubres e hoje, estamos sem nenhuma condição de ficar em alguns municípios, correndo riscos de vida, pois em alguns lugares não há o mínimo de segurança”, explicou Pablo Farah, diretor jurídico do Sindicato.

A falta de efetivo já se tornou um problema corriqueiro. Há anos, o Sindicato pede ao governo que haja mais concursos públicos para a categoria. “Em muitos municípios só temos apenas um policial que faz todo o trabalho. Eles fazem múltiplas funções. Tem que registrar ocorrência, pois não tem escrivão, fazer flagrante, na ausência do delegado, que em alguns lugares também não têm, e investigar. Todos os anos pedimos concursos para o Governo, como uma forma de mudar essa realidade, e não é feito”, destacou Farah.

CARÊNCIA

De acordo com o diretor jurídico, em alguns municípios de distintas regiões, um policial civil atende a demanda de uma população de mais de 14 mil pessoas, como no caso de Bonito, no Nordeste Paraense. “É assim, em Nova Timboteua, Santarém Novo, e, na região do Marajó também há essa carência. Em Afuá e em Santa Cruz do Arari existe apenas um policial para tomar conta de locais que são complicados”, lamentou.Ainda segundo Pablo, os pagamentos de benefícios destes profissionais também não são pagos. “Hoje, o Estado não nos paga insalubridade, gratificação de desempenho, carga-horária e nem os 65% que o policial deve ganhar em relação ao um delegado de primeira classe”, pontuou Pablo.

Polícia paraense é bem paga, diz governoAs denúncias do Sindicato são corroboradas por quem sofre na pele a total ausência do aparelho de segurança pública no Estado. Em várias cidades, a população não dispõe de uma delegacia de polícia minimamente apresentável para a população. É o caso de quem mora em Santa Cruz do Arari, no Marajó, cidade com população estimada em 8.155 moradores, segundo censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).“O nosso município encontra se sem delegacia. Nós moradores não aguentamos mais conviver com tantas violências que vem acontecendo”, desabafou o servidor público Leidson Nunes, que enviou fotos do que seria a delegacia local ao DIÁRIO.

As imagens mostram apenas o esqueleto do prédio. Segundo o morador, a prefeitura municipal alugou uma casa na cidade que é onde a Polícia Civil atende apenas para registrar boletins de ocorrência. Ele informa que em 2012 a prefeitura doou um terreno para o Governo do Estado, que em contrapartida construiria o prédio da nova delegacia. No entanto, as promessas ficaram no vácuo e hoje a obra foi completamente abandonada.“Não tem onde prender pessoas aqui em nosso município, por isso que os criminosos fazem o que querem. Está um absurdo. A criminalidade está muito grande aqui e não temos a quem recorrer”, declarou o servidor público. Segundo ele, como não há estrutura mínima para manter trancafiados os criminosos, os suspeitos são sempre enviados para a vizinha Cachoeira do Arari, que fica a 6 horas de distância de Santa Cruz.“Eu creio que se tivesse uma delegacia decente os criminosos pensariam duas vezes antes de cometer crimes, pois ficariam ciente que iriam ser punidos. As pessoas de bem ficariam mais tranquilas e teriam a quem recorrer”, desabafou.

“INVESTIMENTO”

Em nota ao DIÁRIO, a Polícia Civil esclarece que o Governo do Estado está investindo na estrutura de trabalho dos policiais civis em todo Pará. “Já foram reformadas e construídas cerca de 70 Unidades Policiais, entre Seccionais, Delegacias, Divisões de Polícia e Superintendências.”Quanto à questão da quantidade de policiais civis, já está em andamento o processo de licitação para contratação da empresa organizadora do concurso da Polícia Civil.

A previsão é que o edital seja publicado até final deste semestre, para novas 650 vagas, para delegados, escrivães, investigadores e papiloscopistas. Quanto aos benefícios e gratificações regulamentadas, todas estão sendo pagas normalmente, segundo o governo, que informa ainda que os policiais civis do Pará são os mais bem pagos do país. “A remuneração atual de escrivão e investigador da Polícia Civil do Pará, equivalente a R$ 3.983,84, é a quarta melhor do país”, encerra a nota.

(Diário do Pará)

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