A Polícia Civil prendeu nesta terça-feira (3) em Pacajá, no sudeste paraense, João Paulo Chopek, secretário de Desenvolvimento Econômico do município. Ele é suspeito de envolvimento em fraudes na aquisição de créditos florestais junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).
Duas funcionárias da secretaria, também, são suspeitas de envolvimento na fraude. Uma delas chegou a ser presa, em caráter temporário, mas foi liberada durante a noite.
As informações sobre a fraude foram divulgadas durante entrevista coletiva. Após ser preso, em Pacajá, Chopek foi trazido a Belém de avião sob escolta de policiais civis do Grupo de Pronto-Emprego. Do hangar do Grupamento Aéreo do Estado, o preso foi conduzido para a Delegacia Geral, para prestar depoimento. A prisão é resultado de uma investigação realizada pela Divisão de Prevenção e Repressão a Crimes Tecnológicos (DPRCT) e pelo Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro, em parceria com a Semas.

(Foto: divulgação/PC)
As investigações mostraram que a fraude aconteceu em fevereiro deste ano, após solicitação, feita pela madeireira Sagrada Família, do estorno de 121 metros cúbicos de madeira em viga em créditos no SisFlora (Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais), que visa auxiliar e controlar a comercialização e o transporte de produtos florestais no Estado. Segundo o delegado responsável, a comercialização foi feita após suposto erro de informação por parte do representante. A Semas constatou que a servidora responsável pelo cadastro no sistema, ao processar o requerimento, creditou 121 mil em vez de 121 metros cúbicos de madeira serrada, e depois estornou este último volume (121 m³) requerido pela empresa.
Em um segundo processo, a madeireira tramitou, por meio do Sisflora, cerca de quatro mil metros cúbicos a outras empresas do Estado. Ainda durante as investigações, constatou-se que foram cadastrados no Sistema Documentos de Venda de Produtos Florestais (DVPFs), totalizando 117 mil metros cúbicos de madeira, que seriam vendidos para madeireiras de fora do Pará. Ao detectar a fraude, o Ibama bloqueou a transação.
Caso fosse concretizada a comercialização dos 121 mil metros cúbicos de madeira, o prejuízo estimado seria superior a R$ 84 milhões, além do prejuízo ambiental incalculável, uma vez que os créditos seriam utilizados, possivelmente, para "esquentar" madeira colhida de forma ilegal. Na casa de João Paulo, os policiais apreenderam uma arma e documentos.
(DOL com informações da Polícia Civil)
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