Como se não bastassem os constantes assaltos nos ônibus, nas ruas, nos bancos e em casas lotéricas, a modalidade criminosa, em Belém, agora acontece nos postos de saúde. Os usuários, servidores e comerciantes que trabalham em torno desses locais admitem a insegurança.
O vendedor ambulante que trabalha nos arredores do posto da Terra Firme, que foi atacado por bandidos na tarde da última segunda-feira, franziu as sobrancelhas e sutilmente fez um sinal com uma das mãos para chamar a equipe de reportagem do DIÁRIO.
Com medo, ele preferiu não se identificar, entretanto, relatou o medo e a insegurança de quem vive, na passagem São João, entre a Liberdade e São Domingos, ao lado do posto de saúde.
“A nossa situação está demais. Quando os pacientes não reclamam dos médicos e da falta de remédios, eles temem a insegurança. Hoje (ontem), tem muita polícia aqui, mas isso é só porque eles sabiam que depois do assalto a imprensa viria aqui. Em dias normais não vemos nem a PM e nem a Guarda Municipal. No horário de meio-dia, quando os bandidos entraram no posto, a situação fica pior, pois com a rua deserta, a bandidagem faz a ‘limpeza’ nas pessoas que passam na rua”, desabafou.
O vendedor conta que o assalto foi uma ação anunciada. “Os médicos e os enfermeiros têm medo. Os bandidos sempre roubaram aqui. O horário da saída dos funcionários, os assaltantes já sabem, e por isso, estão acostumados a fazer os assaltos. Essa rua sempre foi deserta, com o posto melhorou e, mesmo em dias de movimento os caras ficam na esquina e pegam o povo que passa. A polícia sabe disso, pois eu mesmo já fui roubado e fiz um boletim de ocorrência”, denuncia.
Ainda na Unidade de Saúde da Terra Firme, um servidor que também preferiu manter o anonimato, falou sobre o medo na rua. “Durante mais de um ano que eu trabalho neste posto nunca aconteceu nenhum caso de ladrão entrar aqui. Mas assaltar aí na frente, passar o cara na bicicleta puxar a bolsa das mulheres, isso sempre acontece muito”, comentou. A reportagem procurou a direção do posto, porém não fomos recebidos pelos gestores.
GUAMÁ
Não muito distante dali, na Unidade de Saúde do Guamá, localizada na rua Barão de Igarapé- Miri, a insegurança que assombra os usuários é a mesma. Sendo obrigados a madrugar na porta do posto para pegar senhas para consultas e exames, os pacientes relatam casos de violência nas proximidades.
A aposentada Ambrosia da Silva, 69 anos, frequenta o local constantemente, porém tem medo que algo aconteça com ela enquanto está na fila de espera.
“Estou insegura em qualquer lugar dessa cidade, até dentro da minha própria casa. Aqui no posto para pegar uma senha é preciso chegar durante a madrugada. Isso é muito perigoso. Além de andar na rua sem ninguém, ficar aqui na calçada, no escuro, sem segurança, é complicado. Às vezes é preciso o meu filho me deixar aqui de bicicleta, e ai, eu já me preocupo com ele ter que voltar sozinho”, explicou.
A aposentada mora na rua Guerra-Passos, também no bairro do Guamá, e com problemas de saúde, teme os dias que deve voltar ao posto. “Meu ouvido dói muito, tenho que fazer tratamento, já estou pensando no perigo de ter que voltar outro dia, na madrugada. Hoje estamos mais inseguros do que os bandidos, pois se eles ficarem doentes vai ter carro e médico disponíveis, mas nós, não temos nenhuma dessas regalias”, disparou. Na unidade, a reportagem também procurou a direção, mas fomos impedidos de entrar no prédio.
CREMAÇÃO
No posto de saúde do bairro da Cremação, localizado na avenida Alcindo Cacela, o medo também se faz presente no semblante dos pacientes e servidores, que costumeiramente presenciam casos de assalto ao redor do prédio.
Na Unidade, dois servidores já foram assaltados ao sair do trabalho. De acordo com a direção da unidade, que recebeu a equipe, os próprios servidores usam mecanismos para se precaver de assalto, já que um nutricionista e outro funcionário já foram abordados, no momento em que caminhavam em direção aos seus carros. Segundo os profissionais, o vigilante procura ficar sempre alerta quando uma pessoa com atitude suspeita se aproxima do prédio.
A dona de casa Rosa Gonçalves Motta, que mora na travessa Nove de Janeiro, está grávida. Ela faz o seu acompanhamento na unidade, e diz que a população fica insegura em qualquer lugar. “Estamos vivendo reféns dos bandidos em qualquer lugar. Assim como eles colocam fogo nos presídios, que tem polícia, eles entram em postos de saúde e não respeitam nem os doentes. Vivemos com medo de tudo, de qualquer lugar ser abordado por um homem armado”, desabafou.
RELEMBRE
Na última segunda-feira, 9, dois homens entraram armados, rederam quatro funcionários e um prestador de serviços, dentro de uma sala, na Unidade de Saúde da Terra- Firme.
Os criminosos levaram dinheiro, celulares e objetos pessoais das vítimas. O homem fugiu do local em uma bicicleta, porém, conforme os relatos de testemunhas, outras pessoas que estavam do lado de fora, deram cobertura na fuga.
Em agosto do ano passado, uma médica foi vítima de assalto dentro do posto de Saúde do Tapanã. Em fevereiro deste ano, A Unidade de Pronto Atendimento (UPA), do distrito de Icoaraci, também foi alvo de bandidos.
Durante a madrugada, os criminosos entraram no prédio, localizado na avenida Augusto Montenegro, e levaram os pertences de pacientes e funcionários. Em 2014, um homem quando estava sendo atendido por uma psicóloga, foi executado a tiros dentro da Unidade de Saúde do Conjunto Paraíso dos Pássaros, no bairro do Maracangalha, em Belém.
(Diário do Pará)
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