Contabilizada mais uma morte de um policial na última quinta-feira na Região Metropolitana de Belém (RMB), o Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil do Pará (Sindpol) chama a atenção para o déficit de cerca de dois mil policiais civis no Pará.
Estimando que seriam necessários, no mínimo, cinco mil policiais civis para atender a todo o Estado, o sindicato denuncia que os três mil servidores que estão na ativa, hoje, atuam de forma sobrecarregada.
Atingido com uma bala na cabeça, o investigador da Polícia Civil do Estado do Pará (PC), Dorivaldo de Jesus Palha, 47 anos, foi morto durante operação que pretendia coibir uma tentativa de assalto a uma casa lotérica em Marituba na última quinta-feira.
A operação teria sido repassada pelo próprio Núcleo de Inteligência Policial (NIP) da PC à equipe que atuava na Divisão de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR).
Para o diretor do Sindipol, José Pimentel, a sobrecarga de serviço recebida pelos policiais no Estado, hoje, é um dos agravantes que podem comprometer a segurança dos servidores durante operações como a que resultou na morte do investigador.
“O sindicato acredita que estão sobrecarregando a equipe da DRFR porque, hoje, no Estado do Pará, é a equipe mais atuante. Devido à falta de pessoal no sistema de segurança pública e principalmente na Polícia Civil, estão sobrecarregando os colegas da DRFR”, afirma.
“Eles recebem uma ocorrência atrás da outra, então a possibilidade de acontecer alguma coisa como essa é muito grande porque os policiais ficam cansados”.
Acompanhada pela própria Divisão de Homicídios da PC, a morte do investigador Dorivaldo Palha ainda está sendo investigada e apenas a perícia deve apontar de onde partiu o tiro que o atingiu.
“Essa operação foi repassada pelo NIP, mas, infelizmente, os colegas não tiveram muito tempo pra trabalhar essa informação. Essa informação chegou no dia anterior, então não tiveram tempo suficiente para fazer o levantamento de praxe, para realmente buscar maiores informações até para que pudesse impedir a ação desses meliantes”, acredita Pimentel.
“O sindicato vai esperar a definição da perícia, esperar ser solucionado o que realmente ocorreu pra que possamos tomar nossas providências”.
Enquanto a perícia não esclarece por completo o que ocorreu durante a operação que também resultou na morte de um dos quatro assaltantes, o diretor do sindicato denuncia a sobrecarga que alguns policiais vêm enfrentando.
“Hoje o Governo gasta uma faixa de R$500 mil com plantões remunerados e acaba tirando uma vaga de um policial que poderia ser contratado por concurso pra suprir a necessidade. O policial hoje trabalha 24h e folga 24h. Como um policial vai conseguir produzir desse jeito?”, afirma Pimentel, ao explicar como funcionaria o sistema de plantões na polícia.
“Hoje seria necessário uma média de cinco mil policiais civis no mínimo para suprir todo o Estado e temos cerca de três mil na ativa trabalhando”.
VELÓRIO
Presente no velório do investigador que foi realizado na manhã da última sexta-feira, o Deputado Estadual, Neil Duarte, sinalizou a possibilidade da ordem do assalto que resultou na morte do policial ter partido de dentro da cadeia. “A ordem do assalto veio de dentro da cadeia. Teria partido de um meliante que estava monitorando uma série de assaltos que vêm acontecendo desde a quarta-feira”, afirmou. “Vamos cobrar que se instale bloqueadores de celulares nas cadeias”.
Lembrando que atuou durante 12 anos ao lado do investigador Dorivaldo de Jesus Palha, o deputado afirmou que também irá verificar a situação de uma promoção que, segundo ele, deveria ter sido recebida pelo policial enquanto estava atuando.
“Era um policial com 22 anos de carreira e que ainda atuava na classe ‘C’. O próprio estatuto da polícia afirma que a cada três anos o policial tem que ser promovido de classe, mas ele (Dorivaldo) não recebeu porque estava respondendo a um processo que ainda nem tinha sido julgado”, afirmou o deputado. “Vamos cobrar também a valorização do policial. Cadê um representante dos direitos humanos aqui?”.
Amigo de Dorivaldo desde a juventude, Dilmar Cunha também lamentou a perda. “Era um ‘parceirão’. É como se eu tivesse perdido um irmão”, emocionou-se. “A família e os amigos pra ele eram tudo. Mas, infelizmente, é essa a violência que está aí”.
EM NÚMEROS
5 mil
policiais civis seriam necessários para atender à demanda do Estado, segundo Sindpol.
3 mil
policiais civis atuam hoje no Estado, segundo o Sindipol.
NOTA
Ao DIÁRIO, a Polícia Civil informou que não procede a informação que a DRCO trabalha com três policiais civis. A DRCO é uma Divisão que congrega as Delegacias de Repressão Furtos e Roubos de Veículos Automotores; de Furtos e Roubos de Cargas e de Repressão a Roubos a Bancos.
Com relação à sobrecarga, a informação não procede, pois, atualmente, a Polícia Civil conta com policiais civis que trabalham de forma específica em plantões e em horários de expediente (horário comercial).
(Diário do Pará)
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