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POLÍCIA

Pais e alunos exigem que escola ofereça segurança

“Aviso: em virtude do falecimento do funcionário Antônio Carlos, a escola encontra-se de luto, só retornando as atividades normais no próximo dia 23 de março. Agradecemos a compreensão. A direção’’. Este foi o aviso colocado no portão de entrada da Escola

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“Aviso: em virtude do falecimento do funcionário Antônio Carlos, a escola encontra-se de luto, só retornando as atividades normais no próximo dia 23 de março. Agradecemos a compreensão. A direção’’. Este foi o aviso colocado no portão de entrada da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Príncipe da Paz, localizada na rua Principal do Curuçambá, em Ananindeua.

Professores e alunos estão com medo de retornar às aulas após um estudante de 16 anos, do 8º ano, ter efetuado três tiros contra o inspetor Antônio Carlos Vieira, 58 anos. O crime ocorreu na sexta-feira, 13 de março, por volta das 16h30. Segundo um porteiro que esteve na manhã de ontem na escola, os estudantes chegaram a aparecer, mas logo foram informados de que as aulas estavam suspensas.Policiais militares do 29º Batalhão visitaram o local para tentar conversar com a direção. Os militares disseram que fazem rondas constantes, sempre no horário de entrada e saída dos alunos. Devido ao número reduzido de viaturas, não há como ter uma base fixa. Porém, eles esperam conseguir implantar um policiamento permanente de viaturas e motocicletas na escola.

Está programada para segunda-feira, 23, uma reunião com a Secretaria de Educação do Estado (Seduc), a direção e os professores. Os funcionários querem medidas enérgicas quanto à segurança dentro da instituição de ensino. As atividades só serão retomadas quando um acordo for fechado em prol do bem-estar dos alunos e professores.

DISCUSSÃO

A secretária da escola Julia Ferreira de Farias, 64 anos, presenciou o assassinato do colega de trabalho. Ela conversou com o adolescente minutos antes de ele atirar em Antônio. Ela conta que o estudante não queria ficar dentro da sala de aula e esse era um comportamento comum dele. O inspetor chamou a atenção do menino. Eles discutiram. O aluno foi embora e, quando voltou, estava decidido a acabar com a vida do trabalhador.“O trabalho do inspetor é colocar o aluno dentro da sala de aula. Eles ficaram discutindo. Chamei o inspetor e disse pra ele não se trocar com o menino. A diretora disse para ele não discutir com o aluno. Ele ameaçou o inspetor. Disse que daria um tiro nele. Foi quando ele pegou a bicicleta e saiu’’, detalha Julia.Para entrar novamente na escola sem ser visto, o jovem tentou pular o muro de trás, mas não conseguiu devido aos arames. Então, pulou o muro ao lado, pela rua da Paz. Alguns estudantes viram o momento em que ele fez isso. O adolescente teria ido direto ao banheiro e, em seguida, foi chamado pelos funcionários a ir à direção. “Nós conversamos com ele lá na sala. Ele disse que queria ir ao banheiro. A arma tava dentro da mochila, no banheiro. Quando saiu do banheiro, foi para matar o inspetor’’, disse a funcionária.

Na escola onde a tragédia aconteceu, corredores vazios. (Foto; Antônio Melo)

TRÊS TIROS

Segundo ela, o adolescente teria abordado o inspetor no corredor e efetuado três disparos. No primeiro, o funcionário ficou tonto. No segundo, ele caiu no chão. No terceiro, deu um tiro na cabeça. Os alunos saíram da sala desesperados e corriam para fora.Segundo a funcionária do Estado, a escola tem quase três mil alunos. No turno da tarde, 17 salas são ocupadas, em grande parte, por adolescentes. “A gente tem que ter segurança na escola, principalmente pela tarde, horário em que há um número maior de adolescentes”.

A Seduc e a própria secretária informaram que o estudante havia sido transferido de uma escola no Paar para o Príncipe da Paz. Lúcia relata que o motivo da transferência seria que o jovem estava prometido de morte na escola onde estudava. Apesar disso, ela enfatiza que o menino era quieto, calado e nunca havia arranjado confusão com ninguém. “Todo mundo conhecia ele na escola. Ele era um menino que não dava problema”, lembra.Uma moradora, que não quer ser identificada, falou que, se depender dela, a filha não retorna mais para a sala de aula. “A gente tá com medo. Nunca aconteceu isso antes. Se tiver segurança, policiamento, minha filha volta a estudar. Se não, não volta a frequentar a escola”, diz.

(Diário do Pará)

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