Muitos já leram a frase do título em placas e imediatamente devem ter pensado em alguma câmera de segurança que filmava todos os seus movimentos naquele local. Na maioria dos casos, o circuito interno foi instalado para “proteger” um lugar de ações de bandidos, mas nos dias atuais ele não impede que eles cometam delitos livremente – sem esconder os rostos – e não temem por terem seus rostos filmados.
Houve um tempo em que não havia muros nem grades nas janelas nas residências. Porém, com o aparente aumento do índice de criminalidade, foi necessário colocá-los, para tentar impedir invasões domiciliares e arrombamentos.
Nos dias atuais, além das grades, muros, cercas elétricas, sensores de movimentos, alarmes e outros aparatos, as câmeras fazem parte de muitos endereços e registram - a maioria grava – qualquer movimentação suspeita. Os mais preocupados com a preservação de sua(s) propriedade(s) podem até visualizar em tempo real através de um smartphone ou computador, enquanto estão no trabalho ou durante um engarrafamento.
Apesar da tecnologia avançada de monitoramento, a reportagem do DIÁRIO constatou com quem utiliza ou trabalha em um determinado local que possuir circuito de vigilância não impede a ação de bandidos, mas ajuda no trabalho da polícia em identificar os suspeitos e possivelmente prendê-los.
A reportagem conversou com motoristas e cobradores de ônibus, moradores de residências e funcionários de estabelecimentos comerciais da capital. Nenhuma identificação dos personagens e endereços serão revelados.
BANDIDOS AGEM DE “CARA LIMPA”
Dentro de um ônibus, os assaltos são comuns em alguns trechos de trajetos feitos na capital. Um bastante conhecido por quem trabalha nesta profissão – e que trafega constantemente – é na rodovia Arthur Bernardes, entre os bairros do Telégrafo e Tapanã, já denunciado várias vezes pela imprensa.
No último caso registrado, na noite do último dia 10, três bandidos “espalharam o terror” dentro do veículo e roubaram a renda do coletivo e os pertences de todos os passageiros que ali estavam.
Segundo o motorista, as câmeras filmam, mas, para ele, dificilmente a polícia localiza os criminosos. “Eu já fui assaltado sete vezes naquele trecho. Estas câmeras sempre filmam, mas servem também para vigiar o nosso trabalho. Os assaltantes sempre agem sem esconder o rosto e nem ligam se vão ser pegos ou não, até porque a polícia, mesmo quando a empresa fornece as imagens, dificilmente pega. Recentemente, uma pessoa durante um assalto atirou em dois bandidos e em um passageiro inocente. Foi tudo filmado e ninguém foi preso”, contou.
Um dos vários postos de combustíveis localizados na Augusto Montenegro já foi escolhido por bandidos como alvo de assaltos. Segundo relato de um frentista que trabalha durante a madrugada, os criminosos não têm nada a perder e não se importam se estão sendo filmados.
“Eu não acho que evite a ação de bandidos. Eles agem de ‘cara limpa’ (sem esconder o rosto com máscaras, ‘brucutu’, capacete ou outro acessório que cubra sua face) e fazem o que querem. Eles nem se preocupam se tem câmera ou não. Só querem roubar e pronto. Não têm nada a perder. Só depois de eles fazerem o que querem é que as imagens são passadas para a polícia e, em alguns casos, eles conseguem prender alguém”, disse.
Identificação de suspeitos ajuda.
(Diário do Pará)
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