Resultando em situações cada vez mais alarmantes, a violência nas escolas pode ter como uma de suas causas a realidade que ultrapassa os muros do colégio e acompanha jovens e adolescentes desde a saída de casa.
Sem que seja possível identificar um único responsável para situações extremas como a que levou um aluno de 15 anos a atirar e matar o inspetor dentro de uma escola pública de Ananindeua no último dia 13 de março, é necessário o empenho de vários atores para que o problema comece a ser solucionado.
Mestre em serviço social e integrante dos programas ‘Agenda Criança Amazônia’ e ‘Rede Escola Cidadã’ – que visam a garantia de direitos de crianças e adolescentes na educação -, a professora Maria Lúcia Garcia acredita que a violência entre os estudantes tem sua origem no contexto social no qual eles estão inseridos.
“O estado também precisa assumir suas responsabilidades, é preciso garantir políticas públicas de qualidade. O que acaba acontecendo é que a ausência do Estado acaba gerando a fragilidade do vínculo familiar e do sentimento de pertencimento desses jovens”, afirma.
“O estudante chega na escola em um transporte coletivo em condições precárias, enfrenta ruas alagadas, vem de uma situação de fragilidade familiar e isso tudo vai desencadeando comportamentos agressivos nas pessoas a ponto de se tornar incontrolável”.
Como saída para o problema que envolve o desenvolvimento de políticas públicas adequadas e assistência social, Maria Lúcia pontua a necessidade de cada integrante desse processo tomar para si a responsabilidade.
“É preciso trabalhar em prol de uma mudança de cultura. Durante esse trabalho de extensão universitária costumamos trabalhar com os jovens ‘o que eu faço com a minha raiva?’. Temos tido depoimentos de como as escolas que mantém esse diálogo tem melhorado. Já começa a haver uma mudança de comportamento”, exemplifica.
“É preciso aprimorar o papel da família, dos trabalhadores da escola, do Estado para identificar o que é de responsabilidade de cada um”.
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(Diário do Pará)
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